Ásia

Ex-primeiro-ministro denuncia revolução colorida no Nepal

Documentos vazados evidenciam que o NED, ligado ao departamento de Estado dos Estados Unidos, financiou e treinou jovens para executar os protestos violentos

No mês de setembro de 2025, o governo do Nepal foi derrubado por uma série de protestos violentos. Manifestações desse tipo já haviam ocorrido no Sri Lanka e em Bangladexe, em 2022 e 2024, respectivamente, e também resultaram em mudanças nos regimes políticos.

O governo do país asiático era chefiado pelo primeiro-ministro Khadga Prasad Sharma Oli, do Partido Comunista do Nepal (Centro Maoísta), em coalizão com os social-democratas do Partido do Congresso. O Partido Comunista do Nepal (ML), por sua vez, estava na oposição.

Os protestos tiveram início nos dias 8 e 9 de setembro. Semanas antes, o governo federal havia determinado a proibição de 26 plataformas de redes sociais até que estas se registrassem junto às instituições do país. A questão da proibição foi considerada o motivo da revolta dos jovens, bem como o estopim das manifestações.

No dia 8 de setembro, jovens tomaram as ruas da capital Catmandu e de outras partes do país, em protesto contra o banimento das redes e contra a corrupção. Há relatos da presença de cartazes em inglês com as palavras “Youth Against Corruption” (jovens contra a corrupção) e “Wake up” (acordem). O estudante de pós-graduação Aayush Basyal, de 27 anos, relatou ao canal árabe Al Jazeera que, à medida que os protestos prosseguiam, surgiram turbas de homens fortes em motocicletas com o objetivo de criar o caos. Segundo o estudante, foram essas pessoas que atacaram a sede do Parlamento.

Os manifestantes atacaram e destruíram a sede do Partido Congresso Nepalês, localizada em Catmandu. As sedes do Partido Comunista do Nepal (Centro Maoísta) e do Partido Comunista do Nepal (ML) também foram incendiadas.

A casa do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal foi invadida e incendiada. Sua esposa, Rajyalaxmi Chitrakar, estava no interior da residência e morreu no hospital em decorrência das queimaduras. O gabinete do presidente da República, Ram Chandra Paudel, também foi incendiado, e este precisou ser evacuado do local pelos militares.

O Parlamento do Nepal foi invadido na terça-feira, 9 de setembro. O governo reagiu decretando toque de recolher, mas revogou o banimento. Os protestos violentos continuaram. Na sequência, Khadga Prasad Sharma Oli enviou uma carta ao presidente na qual anunciou sua renúncia e pediu diálogo e reconciliação para resolver os problemas nacionais. Sushila Karki, ex-presidente da Suprema Corte, assumiu interinamente o governo. Há eleições marcadas para março.

Os protestos no Nepal foram apelidados de “protestos da Geração Z”. Há informações de que 77 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas.

Em entrevista ao canal russo RT da Índia, o ex-primeiro-ministro Sharma Oli declarou, após meses de silêncio, que os protestos aconteceram de forma incomum e há indícios de que foram minuciosamente planejados. Os países que já haviam experienciado esse tipo de protesto violento alertaram que situações semelhantes poderiam ocorrer no Nepal.

É incomum o ataque violento dos manifestantes, com organização e rapidez, às residências de autoridades políticas, instituições públicas e sedes de partidos. A violência fez com que diversos ministros também renunciassem a seus cargos.

Em dezembro de 2025, documentos vazados apontaram que o National Endowment for Democracy (NED), uma organização sem fins lucrativos ligada oficialmente ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, havia investido centenas de milhões de dólares no recrutamento e treinamento de jovens nepaleses para executarem os protestos.

A divisão do NED, o Instituto Republicano Internacional (IRI), foi acusada de financiar atividades clandestinas em Bangladesh. O NED também já havia sido acusado de investir milhões de dólares em entidades políticas ucranianas com concepções antirrussas.

Os acontecimentos no Nepal indicam mais uma Revolução Colorida promovida pelo imperialismo na Ásia, a terceira nos últimos anos. Tratava-se de derrubar o governo do Partido Comunista do Nepal (Centro Maoísta), utilizando-se de táticas de violência fascista.

O bloco imperialista, encabeçado pelos Estados Unidos, necessita de regimes-satélites na Ásia, isto é, governos alinhados a seus interesses. O objetivo é manter a pressão econômica, política, diplomática e militar sobre a China. Vale destacar que o Nepal é estratégico, na medida em que é vizinho da China, particularmente da região do Tibete. Inclusive, já se tentou construir um movimento de independência do Tibete para fragmentar o território chinês.

As Revoluções Coloridas são uma forma de intervenção imperialista nos assuntos internos de um determinado país. Em geral, aproveitam-se de protestos para promover infiltrações de agentes que disseminam o caos a fim de derrubar um governo. Conforme as acusações contra o NED demonstram, esses agentes são preparados e treinados com financiamento estrangeiro. É uma política de promoção de golpes de Estado.

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