Um dia depois de o Nicolás Maduro ser arrastado para um tribunal em Nova Iorque, após ter sido sequestrado pelo governo norte-americano, veio à tona a notícia de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia modificado a base do indiciamento contra o presidente venezuelano. A acusação original, feita durante o primeiro mandato de Trump em 2020, retratava o chamado “Cartel de los Soles” como um grupo criminoso organizado supostamente liderado por Maduro e envolvido em tráfico de cocaína em larga escala. Esta era a base de toda a propaganda criminosa usada para justificar a pressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que levou a um cerco naval, ao assassinato de dezenas de venezuelanos, ao roubo de embarcações e, finalmente, ao sequestro do mandatário.
Em julho de 2025, o Departamento do Tesouro dos EUA designou o suposto cartel como uma organização terrorista, o que seria posteriormente apoiado pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo ex-conselheiro de Segurança Nacional, Robert C. O’Brien. No entanto, sequer há prova de que o tal “Cartel de los Soles” exista. Segundo analistas, o termo seria uma gíria cunhada pela imprensa venezuelana na década de 1990 para descrever a corrupção entre oficiais militares individuais — e não um cartel estruturado.
A mudança aparece no novo indiciamento de Maduro, divulgado após o seu sequestro. Embora ainda o acuse de participar de uma conspiração de tráfico de drogas, o texto retira a alegação de que o “Cartel de los Soles” existe como um cartel real, redefinindo-o, em vez disso, como um “sistema de patronato” e uma “cultura de corrupção” supostamente alimentada por lucros de drogas.
Enquanto o indiciamento anterior referenciava o “Cartel de los Soles” 32 vezes, a versão revisada menciona-o apenas duas vezes. Embora as autoridades norte-americanas tenham removido a designação do suposto cartel, as novas designações não exigem padrões judiciais de prova.
Apesar da mudança, Marco Rubio continuou a descrever o “Cartel de los Soles” como um cartel real durante uma entrevista ao programa Meet the Press da NBC, alegando que as forças dos Estados Undios reservam-se o direito de atacar carregamentos de drogas ligados ao grupo e que Maduro é seu líder.
A avaliação anual do Narcotráfico Nacional da Departamento de Narcóticos dos Estados Unidos e o Relatório Mundial sobre Drogas da Organização das Nações Unidas nunca listaram o “Cartel de los Soles” como uma organização de tráfico ativa.
Maduro e sua esposa foram sequestrados de sua residência em Caracas no sábado, retirados da Venezuela por helicóptero e transportados a bordo de um navio de guerra por cerca de 3.400 quilômetros até a cidade de Nova Iorque. A agressão foi o resultado de meses de pressão na costa da Venezuela.
Maduro declarou-se inocente. “Sou inocente. Não sou culpado de nada do que é mencionado aqui”, disse ele, descrevendo-se mais tarde como “um prisioneiro de guerra” e enfatizando que continua sendo o presidente da Venezuela.
Horas após o ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os Estados Unidos governariam a Venezuela temporariamente e estariam “fortemente envolvidos” em sua indústria petrolífera.m





