O Brasil recebeu 40 obuseiros M109A5 apresentados como uma entrega gratuita. Para modernizar 32 deles, contudo, foi firmado um contrato de US$ 54 milhões com a BAE Systems, incluindo peças, treinamento e suporte. A conta do equipamento, portanto, continuou depois da entrega.
Segundo reportagem do Heraldo Rojo, baseada em publicações de A Nova Democracia e da Revista Sociedade Militar, os obuseiros e blindados M113 e M577 empregados pelo Exército integram o programa norte-americano Golden Sentry. O mecanismo acompanha o uso, o armazenamento e a destinação das armas fornecidas pelos Estados Unidos.
Armas não chegam sozinhas. Acordos de fornecimento estabelecem condições; peças e assistência técnica mantêm o comprador vinculado ao fabricante; regras do Pentágono procuram relacionar vendas militares aos objetivos estratégicos dos EUA. O país que depende dessa cadeia não decide livremente nem mesmo quando precisa manter seu equipamento funcionando.
A reportagem também menciona deslocamentos de aeronaves militares norte-americanas na Venezuela. Não informa, porém, que carga transportavam ou que missão cumpriram. Não é necessário preencher essa lacuna com suposições para reconhecer o problema brasileiro: os termos conhecidos do fornecimento de armas já dão a Washington instrumentos para acompanhar equipamentos do Exército.
O governo deve divulgar integralmente esses acordos e encerrar cláusulas que submetam armamentos nacionais à supervisão do Pentágono. Sem produção e manutenção sob controle do próprio País, a próxima compra repetirá a mesma dependência, qualquer que seja o preço anunciado no contrato.




