Análise da 3ª

EUA estão começando a 3ª Guerra Mundial?

Rui Costa Pimenta afirmou que ataque dos EUA e de “Israel” ao Irã foi “criminosa agressão” e que a esquerda que se recusa a apoiar o Estado iraniano faz o jogo do imperialismo

Na edição desta terça-feira (3) do programa Análise da 3ª, na Rádio Causa Operária, Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), voltou a falar sobre o tema do momento: a agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã e o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder da Revolução Islâmica. Ao longo da transmissão, Pimenta denunciou o ataque como um crime, rejeitou a propaganda imperialista sobre “mudança de regime” e criticou tanto setores da esquerda quanto o governo brasileiro por adotarem uma posição de “em cima do muro” diante da agressão.

‘A única coisa que se deveria falar’

Ao comentar o assassinato de Khamenei e a tentativa de enquadrá-lo como justificativa “humanitária” para a guerra, Pimenta afirmou que a discussão sobre simpatia ou antipatia pelo regime iraniano serve como pretexto para não tomar posição diante de uma agressão imperialista. Em um trecho longo, ele resumiu o que, em sua avaliação, deveria ser o centro de qualquer análise:

“O que está acontecendo no Irã é muito simples. Não tem nada a ver com o que acontece dentro do Irã. (…) Uma pessoa séria não pode começar dizendo: ‘não apoia o regime iraniano, mas também não apoia a agressão’. O regime iraniano não tem nada a ver com a história. É uma agressão criminosa do imperialismo. O assassinato do Khamenei é um crime inacreditável. O homem é um líder religioso da religião xiita. Ele não é combatente, ele não é soldado. É uma coisa de um banditismo político total. A única coisa que se deveria falar é isso.”

No programa, Pimenta insistiu que a ofensiva não decorre de fatos internos do Irã, e comparou a operação às mentiras utilizadas na invasão do Iraque, quando Washington alegou “armas de destruição em massa”. Para ele, são pretextos conhecidos, usados para encobrir uma guerra de rapina.

Propaganda imperialista e submissão da esquerda

Pimenta criticou organizações e dirigentes de esquerda que repetem acusações feitas por jornais europeus e norte-americanos, como a tese de que Khamenei seria “carniceiro do próprio povo”. Segundo ele, esse tipo de acusação é absorvido “acriticamente” e revela uma adaptação à opinião pública burguesa. Pimenta declarou:

“A esquerda precisa parar de ler esses jornais. A esquerda pequeno-burguesa precisa parar de ler o Le Monde, o New York Times, o El País, e precisa buscar fontes mais seguras do que está efetivamente acontecendo no Irã. Esse negócio de que o Khamenei é carniceiro do próprio povo, essa propaganda imperialista. É impressionante como o pessoal, acriticamente, sem analisar o problema, engole essa propaganda.”

Pimenta também ironizou a insistência de parte da imprensa em afirmar que o regime cairia “a qualquer momento”, dizendo não haver “nenhuma evidência disso”, além do que chamou de “conversa mole” da imprensa imperialista.

‘Você está do lado do Estado iraniano ou do imperialismo?’

O presidente do PCO dedicou uma parte extensa do programa à crítica de uma posição comum em setores da esquerda: condenar a agressão, mas afirmar que não se pode apoiar o governo iraniano. Para Pimenta, a formulação é política e falsa, porque a guerra se trava contra o Estado, o regime e suas instituições, e não contra um “povo abstrato”. Ele explicou:

“No Irã há uma luta entre o Estado iraniano e o imperialismo. (…) A luta é entre o Estado do Irã e o imperialismo. (…) Você está do lado do Estado iraniano ou você está do lado do imperialismo? (…) Se você fala: ‘eu estou do lado do povo, mas não estou do lado do Estado’, você está do lado do imperialismo. O povo do país está organizado em torno do Estado. Se o Estado é maravilhoso ou se o Estado é ruim, isso já é uma coisa secundária. O fato é que o imperialismo está atacando o Estado, o regime político.”

No mesmo raciocínio, ele afirmou que esse tipo de “neutralidade” resulta, na prática, em cobertura para a ofensiva imperialista, pois retira do campo atacado a legitimidade de se defender e desarma a solidariedade internacional.

O Irã como pilar da resistência regional

Pimenta sustentou ainda que, além do princípio elementar de se opor à agressão, há um elemento decisivo: o papel do Irã na sustentação do Eixo da Resistência e, portanto, na luta palestina. Ele afirmou que a derrota do governo iraniano “enfraqueceria enormemente” a resistência palestina e disse que esse aspecto é apagado por grupos que adotam uma “concepção abstrata do mundo”. No programa, ele mencionou as relações do Irã com Ansar Alá, Hesbolá e forças combatentes no Iraque, apontando que a guerra não pode ser analisada isolando o país do conjunto da luta regional.

Trump, impopularidade e risco de crise

Pimenta também argumentou que a ofensiva de Trump não se encaixa no modelo de pressão usado em outros países, porque o Irã “não é peixe pequeno” e tem capacidade de resistir. Segundo ele, o apoio à guerra é baixo dentro dos próprios EUA, citando números de pesquisas mencionadas pela imprensa. Ele afirmou:

“O dado mais importante da situação nos Estados Unidos é que o povo não apoia essa iniciativa. Os jornais todos dão conta de que é 20% da população que apoia. (…) Ele mesmo reconheceu que o que ele está fazendo é altamente impopular, pode inclusive levar a uma crise do governo dele.”

Pimenta avaliou que, ao entrar em guerra direta, Trump “forçou a mão”, e que a propaganda não é suficiente para produzir o resultado político buscado, especialmente após a comoção interna no Irã com o assassinato de uma figura religiosa central.

Escalada regional, bases e petróleo

O dirigente do PCO comentou que o conflito tende a se prolongar por semanas e que a guerra já impacta a economia internacional. Ele citou a alta do barril para a casa dos 80 dólares e afirmou que o preço “pode subir bem mais”, com possibilidade de inflação mundial. Pimenta apontou, ainda, que a ofensiva contra o Irã não ocorre em um vazio político: a guerra é “altamente impopular” em países da região, o que explicaria a cautela de governos atingidos por ataques de retaliação do Irã contra instalações norte-americanas.

Crítica ao governo Lula: ‘contenção às partes’

Por fim, Pimenta criticou a nota do governo brasileiro pedindo “contenção às partes”. Segundo ele, a posição equivale a neutralidade diante de uma agressão e abandona o dever de condenar o ataque. Em um trecho longo, ele afirmou:

“A posição do governo brasileiro é o fim da picada. Aqui só existe uma posição: o Irã foi agredido de maneira traiçoeira e covarde no meio de negociações pelos Estados Unidos e por ‘Israel’. Ponto final. (…) O governo pedia contenção às partes. Como assim contenção às partes? O Irã está sendo agredido, está numa luta de vida ou morte. (…) Não é possível você ter um país que está sendo agredido e o governo daquele país está resistindo à agressão e você não se colocar ao lado desse governo na luta contra a agressão. É vergonhosa, é lamentável, é covarde e é uma posição de total capitulação diante do imperialismo.”

Assista ao programa na íntegra:

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