Nesta segunda-feira (6), O Globo publicou um editorial intitulado “EUA completarão 250 anos com democracia em crise” e alertando que “estudos comparativos demonstram que, sob Trump, liberdades e direitos civis estão em recuo flagrante”.
Demorou um pouco para O Globo perceber. Em 26 outubro de 2001, há quase 25 anos. Foi promulgado o Ato Patriota (USA PATRIOT Act) 45 dias após os atentados de 11 de setembro. Tamanha velocidade pode levar a crer que já estava pronto, bastava apenas um pretexto para assinar.
Resumidamente, o Ato expandiu de modo inaudito a autoridade governamental para monitorar comunicações. Pode obrigar empresas a entregarem dados de usuários. Modificou a Quarta Emenda, que protege o cidadão contra buscas e apreensões desmotivadas, ou fazer buscas sem prévia notificação. Além disso, deu uma definição ampla de “terrorismo doméstico”.
O Ato Patriota não foi, talvez, o maior ataque aos direitos dos americanos, houve ainda os Atos de Alienação e Sedição em 1978; Suspensão de habeas corpus, por Abaham Lincoln durante a Guerra Civil; a internação de de nipo-americanos em campos de concentração durante a 2ª Guerra, e também a COINTELPRO, nos anos 60, um programda do FBI que infiltrou os movimentos de direitos civis (como os de Martin Luther King Jr.). Foi, entanto, a última grande investida contra a assim chamada “democracia americana”.
Não bastasse isso tudo, qualquer um poderia se perguntar se é possível chamar de democracia o país com a maior população carcerária do mundo.
O Globo diz no primeiro parágrafo que “no fim do século XVIII, as nações bem-sucedidas no mundo eram basicamente monarquias. O experimento democrático inaugurado nos Estados Unidos com a independência em 1776 e a Constituição em 1789 foi, sob qualquer aspecto, revolucionário. De lá para cá, a ideia de uma república democrática se espalhou pelo mundo”.
Marx e Engels já tinham falado da Revolução americana, tanto de seu caráter progressista, quanto às suas limitações, pois não se tratava de um ideal de liberdade universal, mas um motor essencial para o desenvolvimento do capitalismo.
Apesar de representar um golpe no Absolutismo, um sinal de alerta para a classe média europeia, que tinha sido dado o primeiro impulso para a revolução burguesa; já se apontava a contradição entre o texto da Declaração de Independência e a manutenção da escravidão.
A Revolução de 1776 foi incompleta porque na liberdade nela contida era a liberdade de propriedade, inclusive o direito de se possuir outros seres humanos.
O trabalho de pele branca não pode ser emancipado onde o trabalho de pele preta é marcado a ferro. – Karl Marx, O Capital
Segundo o editorial, “para a Freedom House, com sede em Washington, Estados Unidos, Bulgária e Itália registraram os maiores declínios no ano de 2025 entre os países classificados como livres”. E o que dizer do Reino Unido e da Alemanha, onde não se pode denunciar o genocídio em Gaza, ou se portar um quefié sem ser espancado pelo polícia?
O problema para o V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, é que “o segundo governo Trump é marcado por rápida e agressiva concentração de poderes na Presidência. “A velocidade com que a democracia americana tem sido desmantelada não tem precedentes na História moderna”, afirma o relatório publicado em março, cuja capa estampa uma bandeira americana com a sigla SOS”. A burguesia gosta apenas do Judiciário concentrando todos os poderes, assim como no Brasil, onde se pode criar leis, cassar mandatos e dar golpes de Estado ao gosto do freguês.
É natural que O Globo se preste a relatar que “a análise da Freedom House descreve a escalada da disfunção legislativa e do domínio do Executivo. A situação é pior com o Congresso dominado por parlamentares republicanos temerosos de perder apoio de Trump”. Esse grupo chamou manifestações em setembro de 2025 para encurrarlar o Congresso e ampliar os poderes do Supremo Tribunal Federal – STF.
No mesmo parágrafo, traz a citação de que “a crescente pressão sobre a capacidade da população de exercer a liberdade de expressão e as ações do novo governo para enfraquecer as salvaguardas anticorrupção contribuíram para a mudança negativa”.
Tudo isso O Globo apoia, é contra liberdade de expressão e é a favor da censura da internet.
Hipocrisia
Por que toda essa preocupação com o declínio da democracia nos EUA, querem com isso atacar Donald Trump? É estranho, pois até outro dia o apoiava integralmente na agressão ao Irã. Por que a mudança, pelo fato de as coisas não andarem muito bem, visto que os iranianos são mais fortes do que se supunha?
O Globo lamente que “no ano que marca um quarto de milênio desde a independência, a situação é dramática para um país que já foi sinônimo de democracia”.
Uma democracia que, esse jornal sabe muito bem, pois apoiou, patrocinou o golpe de Estado de 1964, bem como treinou a repressão e ensinou até mesmo a torturar.
Esse jornal, que conquistou o monopólio de comunicações sob a ditadura militar, apoiou todas as ditaduras no mundo. Foi a favor da destruição da Líbia, da Síria, da Iugoslávia, do Iraque, do Afeganistão. Defende a Ucrânia nazista.
O tão “democrático” grupo Globo é contra a saúde e a educação públicas, militou pela entrega do nosso Pré-sal para o capital estrangeiro, acoberta a matança policial contra a população pobre no Brasil; mas, supostamente, se ressente do declínio da democracia nos EUA quando, na verdade, não liga.
Essa gente não liga para o povo de nenhum país. Se fala em democracia é apenas para criticar um presidente que contraria seus interesses da classe. Sua preocupação é que Trump está bagunçando a dominação imperialista no mundo, e isso é ruim para os negócios.





