Ao menos 195 estudantes e professores foram assassinados e 68 escolas e instalações educacionais sofreram danos graves desde o início da agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. O balanço foi divulgado neste sábado (7) por Hossein Sadeghi, chefe do Centro de Informação e Relações Públicas do Ministério da Educação, em declarações à agência iraniana IRNA.
Sadeghi afirmou que as vítimas perderam a vida “com a máxima inocência” em “ataques cegos e terroristas” realizados em diferentes regiões do país. Ele também declarou que, caso a reconstrução das escolas destruídas demore, os estudantes serão transferidos para as instituições de ensino mais próximas.
O caso mais grave ocorreu no último sábado (28), no primeiro dia da agressão, quando a Escola Shajareh Tayyebeh, em Minabe, na província de Hormozgan, foi bombardeada durante o horário de aula. Segundo o Ministério da Educação, 168 pessoas foram assassinadas no local, a imensa maioria meninas entre 7 e 12 anos, e outras 110 ficaram feridas.
Em outro ataque, na cidade de Lamerd, na província de Fars, um professor e cinco estudantes foram assassinados. Já nesta sexta-feira (6), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, informou que outra escola primária, a Shahid Hamedani, na Praça Niloufar, em Teerã, também foi atingida pelos bombardeios.
Na quinta-feira (5), outros dois estabelecimentos de ensino foram bombardeados em Parand, a sudoeste de Teerã. Imagens divulgadas pela agência Fars mostraram salas de aula destruídas e danos em áreas residenciais próximas.
O massacre de Minabe segue sendo o episódio mais brutal da ofensiva contra escolas. Especialistas da ONU informaram inicialmente que 160 crianças e cinco funcionários haviam sido assassinados. Posteriormente, a UNICEF declarou que 168 meninas morreram no bombardeio e que outras 12 crianças foram assassinadas em ataques a mais cinco escolas. O órgão também informou que ao menos 20 escolas e 10 hospitais foram danificados em todo o país.
As tentativas de justificar o bombardeio da escola de Minabe com a alegação de que o prédio integraria uma base do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica foram desmentidas por uma investigação da unidade digital da Al Jazeera. A análise, baseada em imagens de satélite de mais de dez anos, vídeos recentes, reportagens e declarações oficiais iranianas, concluiu que a escola permaneceu separada da instalação militar vizinha durante todo esse período.
A responsabilidade dos Estados Unidos pelo ataque também passou a ser admitida dentro do próprio aparato norte-americano. A Reuters informou, com base em dois funcionários do governo dos EUA, que investigadores militares consideram provável que forças norte-americanas tenham realizado o bombardeio. O New York Times, com base em imagens de satélite, vídeos verificados e pareceres técnicos, afirmou que a escola foi atingida por um ataque de precisão.
O analista de segurança Wes J. Bryant, ex-conselheiro da Força Aérea dos Estados Unidos sobre danos civis no Pentágono, declarou que tanto a escola quanto os outros edifícios atingidos apresentavam marcas de bombardeios “perfeitamente” precisos. Beth Van Schaack, ex-funcionária do Departamento de Estado e professora da Universidade Stanford, afirmou que a capacidade de inteligência dos EUA deveria ter identificado a presença de uma escola na área.
Diante da repercussão do massacre, a Casa Branca declarou que o caso está sob investigação. O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, cobrou uma apuração “rápida, transparente e imparcial”, com responsabilização e reparação para as vítimas.
Em carta enviada à ONU nesta sexta-feira, o embaixador iraniano Amir Saeid Iravani informou que o total de civis assassinados pela agressão já chegou a 1.332, entre eles mulheres e crianças. A UNICEF declarou que, entre os mais de 1.300 mortos contabilizados até agora, ao menos 181 são crianças.
Também nesta sexta-feira, forças norte-americanas e sionistas bombardearam um subúrbio de Xiraz, no sul do Irã, atingindo um parque de diversões infantil e um prédio do serviço de ambulâncias em Zibaxar. Segundo a agência Fars, ao menos 20 pessoas foram assassinadas e 30 ficaram feridas. A televisão estatal iraniana informou que dois paramédicos estavam entre os assassinados.
Ao denunciar os ataques à ONU, Iravani afirmou que a agressão dos Estados Unidos e de “Israel” representa uma “ameaça sem precedentes à paz e à segurança regional e internacional” e que áreas civis densamente povoadas e infraestruturas vitais vêm sendo deliberadamente atacadas. Baghaei declarou que os agressores procuram impor “o máximo sofrimento e perda de vidas” à população iraniana e classificou o massacre de crianças em Minabe como um ato deliberado.




