O Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) anunciou na sexta-feira (23) que realizou um ataque contra uma embarcação no Oceano Pacífico oriental, assassinando duas pessoas. Em publicação no X, o comando afirmou que a ação foi um “ataque cinético letal” contra um “navio operado por Organizações Terroristas Designadas”, alegando que a embarcação estaria “engajada em operações de narcotráfico”. Segundo o próprio SOUTHCOM, houve um sobrevivente.
Ainda na mesma publicação, o comando declarou que o ataque foi realizado “por determinação do secretário de Guerra Pete Hegseth” e que a Guarda Costeira foi notificada para realizar buscas e resgate do sobrevivente. O comunicado foi acompanhado por imagens aéreas em preto e branco, de baixa qualidade, que mostram uma embarcação em deslocamento e, em seguida, uma explosão e chamas.
O ataque é apresentado como o primeiro caso conhecido de bombardeio contra supostos barcos do tráfico desde 3 de janeiro, data em que forças norte-americanas sequestraram o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Desde o início de setembro, segundo levantamentos citados por diversos informes e comunicados da Casa Branca, foram ao menos 36 ataques contra embarcações classificadas como “contrabando” em águas próximas à América do Sul, com a maioria ocorrendo no Mar do Caribe. No total, ao menos 117 pessoas foram assassinadas nessa campanha, batizada pelo governo norte-americano de Operação Lança do Sul (Operation Southern Spear).
No fim de dezembro, os EUA informaram ter atingido cinco embarcações em dois dias, assassinando oito pessoas. Na ocasião, relatos mencionaram pessoas se jogando ao mar, e, dias depois, a Guarda Costeira teria suspendido as buscas.
Apesar das alegações de “combate ao narcotráfico”, o governo Trump não apresentou publicamente provas da presença de entorpecentes nas embarcações atingidas nem provas verificáveis de vínculo com cartéis. Ainda assim, Donald Trump vem declarando que os ataques teriam “enorme impacto” por “desacelerar” rotas no Caribe e no Pacífico oriental.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, denunciou Washington por promover assassinatos extrajudiciais, advertindo que a prática mina o direito internacional e agrava a instabilidade regional. Países latino-americanos e europeus também questionaram a legalidade do uso de força letal em alto-mar. China e Irã, por sua vez, denunciaram a campanha como unilateral e desestabilizadora.





