Nesta quarta-feira (7), o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, apresentou o plano do governo norte-americano para a Venezuela após o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Ele detalhou um plano que começa com a “estabilização” para evitar o caos, seguida pela “recuperação” para integrar a Venezuela aos “mercados globais”, e concluindo com uma fase de “transição” voltada para a reconciliação política.
Embora seja um plano colonial, de ingerência sobre um país oprimido, o plano deixa claro que, por ora, os Estados Unidos deixarão de lado qualquer iniciativa junto à líder da oposição, María Corina Machado.
“O ponto central é que existe agora um processo em vigor onde temos tremendo controle e influência sobre o que essas autoridades interinas estão fazendo e são capazes de fazer”, disse Rubio, sem apresentar qualquer prova de tal influência.
A fase inicial centra-se no que Rubio caracterizou como uma “quarentena” do setor petrolífero da Venezuela, concedendo aos Estados Unidos influência decisiva sobre o mais importante recurso do país caribenho. No mesmo dia do anúncio de Rubio, os norte-americanos apreenderam um navio-tanque de bandeira russa como parte das operações em curso para interceptar o petróleo bruto venezuelano.
Reproduzindo uma declaração anterior do Presidente Donald Trump, Rubio disse que o governo está finalizando acordos para se apropriar — isto é, roubar — de 30 a 50 milhões de barris de petróleo venezuelano para venda “a taxas de mercado, não com os descontos que a Venezuela vinha obtendo”. O produto da venda, insistiu ele, seria “gerenciado de tal forma que controlaremos como será desembolsado, de modo que beneficie o povo venezuelano, não a corrupção, nem o regime”.
A porta-voz da Casa Branca (sede do governo norte-americano), Karoline Leavitt, disse aos repórteres que os Estados Unidos mantêm “influência máxima” sobre o governo interino da presidente em exercício, Delcy Rodríguez, e já começou a comercializar o petróleo venezuelano apreendido globalmente. O petróleo inclui tanto reservas anteriormente sancionadas quanto hidrocarbonetos a bordo de embarcações interceptadas, que a Venezuela concordou em liberar sob pressão.
Em contraste com o que disse Leavitt, Rodríguez declarou, nesta terça-feira (6), que “não há agente externo que governe Venezuela”.
“As autoridades interinas concordaram em liberar esse petróleo para os EUA, então ele chegará ao nosso país muito em breve”, disse Leavitt, acrescentando que a Venezuela “não enviará mais drogas ilegais para os EUA” nem facilitará cartéis criminosos.
O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, deixou claro que os Estados Unidos pretendem controlar as vendas de petróleo venezuelano “indefinidamente”, sugerindo uma isenção de sanções para facilitar as exportações.
A pressão econômica estende-se para além dos confiscos de petróleo. Marco Rubio afirmou durante sessões privadas no Congresso que a Venezuela enfrentará insolvência financeira em poucas semanas se não conseguir descarregar as reservas de petróleo atualmente em navios-tanque. De acordo com a agência britânica Reuters, o governo também ameaçou confiscar os ativos financeiros de Rodríguez, que supostamente estariam alocados no Catar.
A segunda fase consistiria em “garantir que empresas americanas, ocidentais e outras tenham acesso ao mercado venezuelano de forma justa”, explicou Rubio, sinalizando a determinação em posicionar as empresas petrolíferas norte-americanas como principais beneficiárias das vastas reservas da Venezuela — os maiores depósitos comprovados do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris.
Simultaneamente, Rubio anunciou planos para um “processo de reconciliação” oferecendo indultos a figuras da oposição, liberdade para quase 900 prisioneiros políticos e o retorno de milhões de exilados “para reconstruir a sociedade civil”.





