Estados Unidos

Estudantes pró-palestina protestam durante discurso de chefe da Google

Contrato de US$1,2 bilhão com Amazon foi alvo de cartazes, bandeiras e saída coletiva na cerimônia

Cerca de 200 estudantes deixaram a cerimônia durante o discurso do presidente da Google, Sundar Pichai, nos Estados Unidos, no domingo (14), durante a 135ª formatura da Universidade Stanford, no Stanford Stadium, na Califórnia. Também houve um protesto estudantil durante a fala de Pichai como paraninfo. Os estudantes denunciaram contratos da empresa com “Israel” e com o Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro dos Estados Unidos (ICE). O ato teve vaias, cartazes, bandeiras palestinas e palavras de ordem em defesa da Palestina.

A manifestação teve como centro os vínculos militares e de vigilância da Google. Um dos principais alvos foi o Projeto Nimbus, contrato de US$1,2 bilhão dividido entre Google e Amazon para fornecer serviços de nuvem e inteligência artificial ao exército de “Israel”. Os estudantes também denunciaram a relação da empresa com o ICE, órgão responsável por ações contra imigrantes nos Estados Unidos.

Os cartazes denunciavam a Google por fornecer tecnologia para espionagem e para a guerra contra os palestinos. Frases como “ICE espiona com inteligência artificial da Google” e “o genocídio funciona com a Google” apareceram durante o protesto. Outros estudantes carregaram bandeiras palestinas e gritaram “Palestina livre!”. A saída coletiva foi acompanhada de uma declaração afirmando que os formandos se recusavam a glorificar empresas que alimentam a violência.

A mobilização foi organizada por grupos estudantis e de tecnologia, incluindo Estudantes de Stanford pela Justiça na Palestina, Tecnologia Não ao Apartheid e Tecnologia pela Libertação. Pichai estudou em Stanford, onde concluiu mestrado em ciência e engenharia de materiais antes de entrar na Google, empresa que passou a dirigir em 2015.

O Projeto Nimbus tem provocado protestos dentro e fora da Google desde a intensificação do genocídio em Gaza. Em 2024, a empresa demitiu 28 trabalhadores que protestaram contra o contrato. A insatisfação interna, no entanto, continuou. Organizações de direitos digitais também criticaram grandes empresas de tecnologia pelo uso de seus serviços por “Israel”.

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