Guerra contra o Irã

Estratégia de Defesa em Mosaico: doutrina iraniana de guerra

A Defesa Mosaico é uma estratégia que descentraliza e fragmenta as forças pelo território iraniano, impedindo a paralisia em decorrência de assassinatos seletivos.

O ministro da Defesa do Irã, Abbas Araghchi, destacou que o país persa tem a capacidade de se defender e sustentar suas ações em uma guerra prolongada contra os EUA-“Israel”, apesar das operações terroristas de assassinato de lideranças e ataques às infraestruturas militares, energéticas e civis do país.

A estratégia da “Defesa Descentralizada em Mosaico” (DMD) foi desenvolvida ao longo de muitos anos de análise e reflexão pelos iranianos. Trata-se de uma doutrina de guerra assimétrica que garante aos persas a possibilidade de escolher como e quando o conflito terminará.

Em postagem no X (antigo Twitter), no dia 1º de março, Araghchi afirmou que a estratégia da Defesa Descentralizada em Mosaico é resultado do estudo das derrotas das campanhas dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão.

“Nós tivemos duas décadas para estudar as derrotas americanas em nossos imediatos leste e oeste. Nós incorporamos as lições de acordo. Bombardeios em nossa capital não têm impacto em nossa habilidade de conduzir a guerra. A Defesa Descentralizada em Mosaico nos permite decidir quando — e como — a guerra terminará.”

A Estratégia de Defesa em Mosaico da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) visa transmitir a impressão, para aqueles que atacam o Irã, de que o Estado está descentralizado e disperso pelo território, de forma que os bombardeios e assassinatos seletivos não conseguem destruir as capacidades reais de defesa. As capacidades defensivas iranianas conformam uma teia flexível que pode suportar, adaptar-se e retaliar de forma autônoma. O povo iraniano, sua organização e consciência política são fatores fundamentais da concepção da Estratégia de Defesa em Mosaico.

Os comandantes da CGRI têm autonomia para lançar foguetes, mísseis, drones, iniciar operações navais e incursões guerrilheiras, isto é, dispõem de poder tático de combate, independentemente das ordens — ou da própria existência — de um comando central. São 31 unidades independentes da Guarda Revolucionária: uma na capital Teerã e outras 30 nas províncias. Cada uma atua como uma peça dentro de um quebra-cabeça.

Sistemas de armamentos e lançamento de mísseis e unidades operacionais estão dispersas no vasto território de 1. 65 milhões de quilômetro quadrados da República Islâmica. Para se ter uma ideia das dimensões, o Irã é um pouco maior que o estado do Amazonas.

A construção da Defesa em Mosaico baseia-se no conceito de “defesa em profundidade”, projetado para complicar os objetivos dos norte-americanos e sionistas. Em caso de invasão terrestre, o avanço dos invasores deve ser vagaroso, exaustivo, e suas forças devem se fragmentar pelo território iraniano. As condições geográficas e naturais do país persa transformam-se em uma força multiplicadora da CGRI.

É impossível desferir um golpe arrasador contra forças defensivas fragmentadas e autônomas. Abbas declarou em entrevista que o “Irã perdeu alguns comandantes… mas nada mudou em nossas capacidades militares.”

Certas unidades da CGRI estão operando “independentes e, de certa forma, isoladas”, funcionando conforme diretrizes operacionais. Essa forma de atuar é intencional e desenhada para garantir a continuidade das operações em condições de corte de comunicações com a capital Teerã e morte de lideranças durante os enfrentamentos.

As forças autônomas da Guarda Revolucionária podem fechar o Estreito de Hormuz a qualquer momento. Mesmo fechamentos limitados do Estreito impactam o mercado global de energia e o abastecimento de petróleo. O caráter autônomo das forças faz com que seja impossível de prever o momento de um fechamento repentino.

As capacidades militares iranianas são descritas como complexas. Forças militares paralelas operam com diversos serviços de inteligência e estruturas de comando em camadas. Todas se reportam diretamente ao líder supremo, que centraliza o cargo de comandante-em-chefe de todas as forças.

O Exército Iraniano é conhecido como Artesh e é responsável pela defesa territorial, marítima e aérea em uma guerra convencional. A Guarda Revolucionária tem atribuições mais amplas, que incluem a defesa do sistema político revolucionário e ações de inteligência interna e externa.

Vale destacar que a Guarda Revolucionária opera um poderoso arsenal aeroespacial e de drones, possuindo forças terrestres, marítimas e aeroespaciais próprias. Os dados são inequívocos quanto à complexidade das capacidades militares do país persa.

O Artesh é dividido em quatro corpos:

  1. Forças Terrestres da República Islâmica, com 350 mil efetivos;
  2. Marinha da República Islâmica, com 18 mil homens;
  3. Força Aérea da República Islâmica, com 37 mil efetivos;
  4. Força Aérea de Defesa da República Islâmica, com 15 mil militares.
    Total: 420 mil militares.

A Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) é composta por cinco corpos:

  1. Forças Terrestres da Guarda Revolucionária, com 150 mil homens;
  2. Marinha da Guarda Revolucionária, com 20 mil militares;
  3. Forças Aeroespaciais da Guarda Revolucionária, com 15 mil militares;
  4. Força Al Quds, com 5 mil homens;
  5. Forças Basij de reservistas, com 450 mil efetivos.
    Total: 190 mil ativos.

O contingente total de defesa da República Islâmica é de 1.060.000 militares, dos quais 610 mil estão na ativa.

A Estratégia de Defesa em Mosaico traz consigo um elemento de guerra psicológica que visa a dissuasão de inimigos.

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