Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina chegou a 3,41 dólares por galão neste sábado (7), após subir 14% em apenas uma semana, em meio à guerra desencadeada pelos próprios Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã. A alta foi atribuída à desorganização das exportações de petróleo a partir do Golfo Pérsico, uma das principais regiões fornecedoras de energia do mundo.
Os ataques afetaram cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo bruto, impulsionando o West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado norte-americano, para 90,90 dólares por barril até a sexta-feira (6). A maior parte da alta ocorreu em um único dia, em meio à apreensão do capital financeiro com novas interrupções no fornecimento de energia.
O aumento não atingiu apenas a gasolina. O diesel, o querosene de aviação e outros derivados refinados também ficaram mais caros, com impacto sobre os setores de transporte, logística e indústria em todo o país.
Os preços variam de acordo com a região. Na Califórnia, o valor médio pago pelos motoristas chegou a 5,08 dólares por galão, o mais alto do país. No Kansas, o preço médio foi de 2,90 dólares. O petróleo responde por cerca de 60% do custo da gasolina, enquanto impostos, refino e distribuição elevam ainda mais o preço final.
A guerra também ampliou a instabilidade em outros segmentos do setor energético. Os mercados de energia vêm apresentando forte oscilação desde o início do conflito. Na Europa, o preço do gás natural também subiu depois que o Catar interrompeu parte da produção de gás natural liquefeito por causa da guerra.
O Estreito de Ormuz é um dos corredores energéticos mais importantes do mundo e responde por mais de um quinto dos embarques globais de petróleo bruto. Em resposta à agressão imperialista, a navegação no local foi praticamente paralisada pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI). Segundo dados da empresa de análise Kpler, o número de petroleiros que transportam petróleo bruto pelo estreito caiu 88%, enquanto o de embarcações que carregam gás liquefeito de petróleo recuou 94%.
Nos Estados Unidos, o encarecimento dos combustíveis vem pressionando o orçamento das famílias e das empresas. O economista Wayne Winegarden, do Pacific Research Institute, afirmou que, mesmo que a alta seja temporária e os preços retornem ao patamar anterior em dois ou três meses, “ainda assim se comprime significativamente o orçamento das pessoas, e se impacta significativamente a economia”. Segundo ele, isso “terá implicações de longo prazo”.
O presidente norte-americano Donald Trump declarou que os objetivos militares no Irã têm prioridade sobre a alta dos combustíveis. “Eles vão cair muito rapidamente quando isso acabar, e, se subirem, sobem, mas isso é muito mais importante do que a gasolina subir um pouco”, afirmou.
Uma das possibilidades debatidas nos Estados Unidos é o uso da Reserva Estratégica de Petróleo, que reúne 714 milhões de barris. Especialistas, no entanto, afirmam que a reserva serve para necessidades emergenciais de abastecimento, e não para conter de maneira duradoura a tendência de alta do mercado. Winegarden declarou que, se os Estados Unidos forem impactados e faltarem suprimentos, e se os militares ou o governo precisarem de petróleo, essa é a função da reserva. Acrescentou, porém, que, se a intenção for atenuar tendências do mercado, ela é insuficiente para isso.
Ao mesmo tempo, a crise elevou a procura internacional pela energia russa. Na sexta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã provocou “um aumento significativo da demanda” pelos recursos energéticos da Rússia. Segundo ele, Moscou mantém capacidade para cumprir todos os contratos em vigor.
“Rússia foi e continua sendo um fornecedor confiável tanto de petróleo quanto de gás, incluindo gás por gasoduto e gás natural liquefeito”, declarou Peskov a jornalistas.



