América Latina

EUA bombardeiam Venezuela e sequestram Nicolás Maduro

Governo chavista decretou estado nacional de emergência e ativou forças armadas populares para derrotar agressão imperialista

Durante a noite desta sexta-feira (2) e a madrugada deste sábado (3), tropas especiais do governo dos Estados Unidos conduziram uma operação criminosa no território da Venezuela. Após semanas de um cerco naval e de execuções sumárias no Mar do Caribe, os Estados Unidos bombardearam várias cidades e utilizaram o caos para sequestrar o presidente Nicolás Maduro.

As Forças Armadas dos Estados Unidos bombardearam áreas civis e militares da Venezuela em Caracas e nos estados Miranda, Aragua e La Guaira.

Poucas horas depois de Donald Trump anunciar o sequestro de Maduro, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, afirmou que o governo desconhecia o paradeiro do presidente. Rodriguez exigiu “prova de vida” por parte do governo dos Estados Unidos.

Segundo a vice-presidente, Maduro já havia alertado previamente o povo sobre uma possível agressão desta natureza, que afetaria civis em diversos pontos do país. Diante da situação, foi ativada a defesa do país conforme as instruções do mandatário.

Além do bombardeio em Caracas, foram relatadas interrupções de energia em setores da capital. Autoridades venezuelanas também mencionaram ataques a estruturas estratégicas na cidade. Em resposta imediata, o presidente Nicolás Maduro decretou estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, determinou a ativação dos planos de defesa nacional, ordenou o desdobramento do Comando para a Defesa Integral da Nação e anunciou a passagem imediata à defesa armada.

A agressão incluiu destróieres, submarino nuclear, o porta-aviões USS Gerald R. Ford e mais de 4.000 militares. Também houve medidas de restrição ao tráfego aéreo: autoridades norte-americanas proibiram companhias comerciais de operar no espaço aéreo venezuelano sob alegação de “atividade militar em andamento”, e a embaixada dos EUA em Caracas emitiu alerta máximo desaconselhando viagens ao país.

Bombardeio teria sido apenas cobertura para sequestro de Maduro

Em publicação no X, o senador republicano Mike Lee afirmou que teve uma conversa por telefone com o secretário de Estado, o falcão Marco Rubio. Segundo Lee, os bombardeios foram utilizados apenas para dar cobertura à operação de sequestro:

“Ele me informou que Nicolás Maduro foi preso por pessoal dos EUA para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos, e que a ação cinética que vimos esta noite foi mobilizada para proteger e defender aqueles que estavam executando o mandado de prisão.

A alegação será provavelmente utilizada como pretexto legal para o crime de guerra cometido pelo governo norte-americano, que levou à morte de civis venezuelanos. Segundo o senador, a justificativa de encobrir a ação daqueles “que estavam executando o mandado de prisão” dispensaria a necessidade de uma declaração de guerra ou autorização especial para o uso das forças armadas.

O senador também garantiu que, uma vez que Maduro caiu sob custódia norte-americana, as operações cessaram em absoluto.

Trump promete ‘governar’ Venezuela

Em coletiva de imprensa concedida no estado da Flórida na tarde deste sábado (3), o presidente norte-americano Donald Trump declarou que os Estados Unidos irão governar a Venezuela até que uma “transição” seja concluída.

“Não queremos que outra pessoa assuma o poder e nos deparemos com a mesma situação que tivemos nos últimos anos. Portanto, vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa, e ela precisa ser criteriosa. Porque é isso que nos define.”

Trump também ameaçou lançar uma segunda onda de ataques, “muito maior”, caso houvesse resistência à ingerência norte-americano sobre o país caribenho.

Momentos antes da coletiva de imprensa, o presidente norte-americano divulgou uma imagem do presidente Nicolás Maduro com os olhos vendados e sob a custódia de agentes norte-americanos. A veracidade da foto ainda não foi confirmada pelo governo venezuelano.

PSUV convoca mobilização internacional

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), a principal organização chavista do país, emitiu um comunicado no qual exortava governos e povos de todo o mundo a protestarem contra a agressão norte-americana.

“Convocamos todos os governos e povos do mundo a expressarem sua condenação total a esta ação militar grotesca que viola a Carta das Nações Unidas e pisoteia o direito internacional. Aos nossos aliados, partidos políticos, movimentos sociais, organizações e a todos que acreditam na convivência pacífica e no respeito entre as nações, que se mobilizem de maneira imediata e permanente através de comunicados, pronunciamentos públicos, protestos e ações perante parlamentos, embaixadas e sedes de organismos internacionais.”

Mais uma nota vergonhosa do governo Lula

Ainda que o Ministério das Relações Exteriores não tenha se pronunciado oficialmente sobre a agressão à Venezuela, o presidente Lula, por meio de seu perfil no X, emitiu uma nota em que sequer mencionava o nome do presidente do país caribenho:

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.

Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.

A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.

A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.

A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.”

Povo cubano sai em defesa do regime chavista

Com gritos de “Abaixo o imperialismo!”, moradores da capital cubana reuniram-se na Tribuna Anti-imperialista de Havana com o objetivo de condenar as ações dos Estados Unidos no prolongado cerco à Venezuela e o sequestro de seu presidente constitucionalmente eleito.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou como brutal, traiçoeiro, inaceitável e vulgar o ataque dos Estados Unidos.

O mandatário cubano recordou que: “a terra de Bolívar é sagrada e um ataque a ela é um ataque a todos os filhos dignos da América; por ela, estamos dispostos a dar nosso próprio sangue e vida”.

Díaz-Canel advertiu que estes ataques injustificados e prepotentes rompem a estabilidade regional, buscam saquear as riquezas naturais do país sul-americano e apagar o “bastião de resistência ativo desde a chegada do Comandante Chávez à presidência”.

Sobre a resposta dos venezuelanos, ele ressaltou a capacidade do povo de “sair para defender sua soberania, sua democracia e seu presidente, como fizeram em abril de 2002, diante da tentativa de golpe promovida também pela administração norte-americana”.

O presidente cubano afirmou ainda que “os EUA não têm autoridade moral nem legal para sequestrar o presidente venezuelano de seu país, mas são responsáveis perante o mundo por sua integridade física”. Advertiu também que não se trata de uma ameaça apenas contra a Venezuela, mas contra a humanidade inteira.

“Fechemos fileiras, povos da América, para frear o avanço brutal do gigante das sete léguas que hoje paira sobre a região”, concluiu.

Estado de Comoção Exterior

Momentos depois dos bombardeios, o governo venezuelano já havia publicado uma nota em que repudiava as ações do imperialismo norte-americano e declarava estado de Comoção Exterior. Leia a nota na íntegra:

“A Venezuela manifesta seu repúdio, rejeita e denuncia perante a comunidade internacional à gravíssima agressão militar perpetrada pelo governo atual dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelanos nas localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e nos estados Miranda, Aragua e La Guaira.

Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força.

Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas.

O objetivo deste ataque não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular de seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação. Não o conseguirão. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e seu governo legítimo mantêm-se firmes na defesa da soberania e do direito inalienável de decidir seu destino. A tentativa de impor uma guerra colonial para destruir a forma republicana de governo e forçar uma ‘mudança de regime’, em aliança com a oligarquia fascista, fracassará como todas as tentativas anteriores.

Desde 1811, a Venezuela enfrentou e venceu impérios. Quando, em 1902, potências estrangeiras bombardearam nossas costas, o presidente Cipriano Castro proclamou: ‘a insolente planta do estrangeiro profanou o sagrado solo da Pátria’. Hoje, com a moral de Bolívar, Miranda e de nossos libertadores, o povo venezuelano se levanta novamente para defender sua independência diante da agressão imperial.

Povo às ruas

O Governo Bolivariano chama todas as forças sociais e políticas do país a ativar os planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista.

O povo da Venezuela e sua Força Armada Nacional Bolivariana, em perfeita fusão popular-militar-policial, encontram-se mobilizados para garantir a soberania e a paz. Simultaneamente, a Diplomacia Bolivariana de Paz apresentará as correspondentes denúncias ao Conselho de Segurança da ONU, ao secretário-geral dessa organização, à CELAC e ao MNOAL, exigindo a condenação e a responsabilização do governo norte-americano.

O presidente Nicolás Maduro dispôs todos os planos de defesa nacional para serem implementados no momento e nas circunstâncias adequadas, em estrito respeito ao previsto na Constituição da República Bolivariana da Venezuela, na Lei Orgânica sobre Estados de Exceção e na Lei Orgânica de Segurança da Nação.

Nesse sentido, o presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do Decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada. Todo o país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista.

Do mesmo modo, ordenou o imediato desdobramento do Comando para a Defesa Integral da Nação e dos Órgãos de Direção para a Defesa Integral em todos os estados e municípios do país.

Em estrito respeito ao artigo 51 da Carta das Nações Unidas, a Venezuela reserva-se o direito de exercer a legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência. Convocamos os povos e governos da América Latina, do Caribe e do mundo a mobilizarem-se em solidariedade ativa diante desta agressão imperial.

Como assinalou o Comandante Supremo Hugo Chávez Frías, ‘diante de qualquer circunstância de novas dificuldades, do tamanho que forem, a resposta de todos e de todas as patriotas… é unidade, luta, batalha e vitória’.”

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