Brasil

Estadão defende agiotagem do gás contra o trabalhador

Estadão, o jornal da burguesia, quer que classe trabalhadora pague uma fortuna para agiotas que querem aproveitar da crise de energia

GLP

O jornal burguês, Estadão, publicou um editorial, nesta quinta-feira (9), intitulado O Luís XIV da Petrobras, onde critica Lula por fazer a coisa certa. O Estadão inicia, na maior cara de pau, dizendo que “o presidente Lula anunciou que irá cancelar o leilão de GLP, o gás de cozinha, realizado pela Petrobras em 31/3. Na ocasião, alguns contratos de fornecimento foram negociados com ágio de 117% em relação ao preço de tabela que a companhia mantém desde 2024”. Isso mesmo 117% de ágio. “Ágio” é a raiz da palavra “agiota”.

Inconformado, o Estadão diz que “em entrevista à TV Record da Bahia, Lula não mediu palavras para achincalhar o leilão, afirmando se tratar de ‘cretinice’ e ‘bandidagem’. ‘Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão’, prometeu. Como se não bastasse, Lula ainda afirmou que a realização do certame ocorreu contra a vontade da direção da empresa, o que beira o absurdo.” O jornal está bufando porque sabe que muito tubarão não vai ganhar a montanha de dinheiro que gostaria nas costas do povo.

Para o Estadão, “é improvável que um leilão de tamanha importância tenha ocorrido por voluntarismo de algum funcionário que resolveu passar por cima da direção. A Petrobras se vale desse instrumento para gerir a oferta e a demanda de GLP e ajustar margens de lucro sem mexer na tabela de preços. Até agora, nada se ouviu de Magda Chambriard, presidente da Petrobras, que, a julgar pelas declarações de Lula, não estaria a par do leilão”.

Improvável não é impossível; disseram que o responsável pelo leilão seria da “área técnica”. Magda Chambriard, em uma reunião emergencial, trocou sacou do posto o presidente do Conselho de Administração, Claudio Romeo Schlosser.

Apelando para as urnas

O editorial diz que “na verdade, a única vontade que foi contrariada foi a do próprio presidente. Amargando queda na popularidade em pleno ano eleitoral, Lula se mostra disposto a rasgar contratos, prejudicando a empresa, seus clientes e ampliando a sensação de insegurança jurídica no Brasil. Tudo isso sob a desculpa de que o ‘povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra’, em referência aos efeitos do conflito entre EUA e Israel contra o Irã sobre os preços”.

Acontece que a Petrobrás levou a leilão um volume de 70 mil toneladas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), equivalendo cerca de 11% do consumo projetado para o mês de abril, a um preço 117% maior que o autorizado pelo Governo Federal.

Como explicamos em matéria anterior (leia), desde dezembro de 2024, o governo vinha mantendo os preços congelados para o consumidor final com o intuito de conter a inflação. Com esse leilão, o ágio fez elevar os preços de R$ 33,37 para R$ 72,77 para as distribuidoras, que iriam repassar para o consumidor, uma política criminosa contra os trabalhadores que já pagam muito caro pela crise do capitalismo. Houve relatos de ágio de até 118% no gás de cozinha.

Em que a Petrobrás está sendo prejudicada? A empresa é recordista em distribuir seus lucros em dividendos para um punhado de parasitas, e a maioria nem deve viver no Brasil. Mal sobra dinheiro para investimentos, isso é que prejudica a Petrobrás.

Quanto à “insegurança jurídica”, é até estranho ler isso de um jornal que até outro dia apoiou todos os violações possíveis do Supremo Tribunal Federal – STF à Constituição.

Quem apoiou o Mensalão, a Lava Jato, a “Trama Golpista”, não tem direito de cobrar segurança jurídica, e se o faz é por cinismo. E, caso Lula tenha usado a “desculpa” de que o povo pobre não pagará essa falcatrua, é um ótimo pretexto.

Subindo nas tamancas

Como o Estadão é um jornal burguês, fica gritando que “desautorizar a Petrobrás dessa maneira não atende aos interesses dos brasileiros de nenhuma maneira”. Claro que atende, pois o povo não vai pagar pelo ágio. O problema para o jornal, é que “reforça no mercado a imagem de um país onde o cumprimento de contratos depende do humor de quem está no poder, e tal insegurança obriga o Brasil a pagar um prêmio maior àqueles que se dispõem a investir por aqui, afetando o crescimento e a geração de empregos”.

Um contrato que só beneficia uma parte, que vai prejudicar a população, deve ser quebrado. A preocupação do jornal é com o “mercado”. E quem está investindo no Brasil é para sugar o sangue do brasileiro, não para o nosso crescimento, ou para gerar empregos, e a Petrobrás é um ótimo exemplo disso.

O Estadão, sem esconder a indignação, diz que “ao tratar a Petrobras como subalterna a seus desejos, Lula age como se fosse um Luís XIV a proclamar: “A Petrobras sou eu”. Isso cria um clima tenso na companhia e prejudica a tomada de decisões estratégicas daqui em diante”.

Luís XIV, também conhecido com o Rei Sol, governou a França por 72 anos (1643 e 1715). Reinou durante o ápice do absolutismo, um tipo de governo que se caracteriza pelo concentração total de todos os poderes nas mãos de um único monarca. É dele a célebre frase O Estado sou eu (L’Étad c’est moi). Essa comparação de Lula com o monarca francês chama a atenção porque nunca a utilizaram para definir Alexandre de Moraes, um verdadeiro rei absolutista que, não faz muito tempo, era apoiado por essa imprensa, que queria para esse verdadeiro imperador ainda mais poderes.

Porém, como disse o político britânico, Lord Acton, “O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Eis que a alta burguesia decidiu que Xandão I já se não faz necessário.

Mudanças necessárias

O Estadão é obrigado a reconhecer que “é fato que, como principal acionista e controlador da Petrobras, o governo federal tem mais força para impor seus interesses”, e aproveita que “uma coisa é o governo propor medidas que não necessariamente agradam aos demais acionistas. Outra, bem diferente e mais grave, é sugerir que o contrato assinado hoje será desrespeitado amanhã”. O jornal se esquece que o governo, em tese, representa não “um acionista” e “uma vontade”, e sim os interesses da população, que devem estar acima de interesses privados.

No último parágrafo, está escrito que “a guerra no Irã vai acabar em algum momento, mas o governo deveria se limitar a trabalhar para mitigar seus efeitos, e não criar mais problemas. Preocupado com as pesquisas eleitorais que põem em dúvida sua reeleição, no entanto, Lula tem sua guerra particular para travar – deixando um rastro de prejuízos para o País”.

Primeiramente, é mentira que o Brasil está sendo prejudicado. Segundo, Lula deveria ter tido coragem e reestatizado a Petrobrás, pois essa guerra mostrou que esse setor é fundamental para a soberania do País. Se estivesse inteiramente privatizada, o brasileiro seria literalmente assaltado, e o Estadão ficaria satisfeito, assim como o “mercado”.

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