O artigo Ou Toffoli tem cota no Resort ou é dono, de Eduardo Guimarães, publicado no Brasil247 neste sábado (24), é o retrato de uma esquerda completamente desnorteada. Guimarães deixa de lado qualquer preceito jornalístico e se atirou na defesa cega do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros.
Guimarães diz que “a volúpia do ‘noticiário’ de guerra contra Toffoli é tanta que Folhas, Estadões e Metrópoles produziram prova contra si mesmos. Tudo feito com amor e carinho para blindar os governadores ‘bolsomasters’”.
Digamos que seja verdade, que esses jornais estejam tentando blindar outras pessoas, em que isso inocenta ou melhora a posição do ministro Dias Toffoli? Em nada.
Vejamos uma situação hipotética: se um jornal começa a divulgar notícias de um criminoso para encobrir outro, nem por isso este deixa de ser também criminoso.
Guimarães pergunta: “como Toffoli pode ser dono do Resort se a própria mídia informa, entrelinhas, que ele comprou mera cota de uma das casas no empreendimento, via sistema multipropriedade, por 750 mil reais?”.
A coisa é muito mais nebulosa que isso. Notícia do Estadão sob o título Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort: ‘Sócio? Olha minha casa’, revela que o jornal mandou enviados especiais a Marília – “A Maridt Participações, empresa dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que chegou a ter um terço de participação no resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, tem como sede uma casa de 130 metros quadrados no bairro Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo”.
“O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados”.
A cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugenio, “disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort”.
Mais adiante, Cássia Pires Toffoli disse ao repórter: “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”.
Jornalista ou advogado?
Eduardo Guimarães, se quisesse fazer jornalismo, deveria tentar se inteirar do que está acontecendo. Em vez disso, escreve coisas do tipo: “o ex-governador João Doria acusou o filho 01 de Jair Bolsonaro de mentir sobre o valor da mansão. Disse que a propriedade nababesca vale, na verdade,14 milhões de reais – mais de 18 vezes o custo da suposta cota de Toffoli”.
O que o jornalista pretende fazer, campeonato para decidir quem é mais corrupto?
Sobre a cota R$ 750 mil, Guimarães diz que “uma cota, para quem não conhece esse modelo de empreendimento, dá direito àquele que a compra de usar o imóvel por apenas algumas semanas por ano”. E acrescenta: “Enquanto governadores bolsonaristas de São Paulo, Rio e DF metem BILHÕES do erário no Banco Master, quase não se fala deles nesse noticiário da mídia conservadora que usa Toffoli, Moraes e o STF como cortina de fumaça”.
Guimarães está tentando fazer exatamente aquilo de que acusa a grande imprensa, utilizar governadores como cortina de fumaça.
O texto de Eduardo Guimarães é isso, um desfile de crimes e suspeições. Tem-se que “a delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, agravou a situação ao implicar diretamente Ibaneis Rocha”. Que “Ibaneis meteu 16,7 bilhões de reais no banco golpista”. “No Rio, Cláudio Castro foi atingido pela Operação Barco de Papel da PF”. “Tarcísio de Freitas aparece em conexões indiretas, como doações de campanha de R$ 5 milhões do cunhado de Vorcaro para sua eleição e a de Bolsonaro”…
Sobra para Guido Mantega e Ricardo Lewandowski. Mas… “nada que se compare ao envolvimento dos governadores ‘bolsomasters’”.
Guimarães reclama da “hipocrisia desses meios de comunicação”. E que “a mídia pouco fala sobre casos muito mais relevantes relativos ao golpe do banco Master. Enquanto isso, ataca incansavelmente ministros do STF. Eis um filme B que já vimos incontáveis vezes”.
É verdade, esse filme de gosto duvidoso já foi visto inúmeras vezes, a única novidade é ver gente que se diz de esquerda tentando participar do elenco.
Eduardo Guimarães não deveria se meter, mas já o fez, tomou as dores do STF em vez de denunciar tanto o Master quanto os ministros do Supremo, pegos em situações para lá de comprometedoras.
Já que faz um desfile de personagens tão reprováveis, poderia citar o próprio Toffoli, que impediu que Lula fosse ao enterro do irmão. Uma decisão desumana e inaceitável.
Dias Toffoli jamais deveria se manter à frente de um processo em que parentes diretos seus estiveram envolvidos.
É provável que Guimarães queira voltar atrás, mas caminhou muito e perdeu o caminho de casa. Resta agora afundar sua credibilidade; ou o que restou dela.





