O imperialismo prepara uma guerra contra o Irã. A concentração de forças militares na região, a movimentação de bases aéreas e a atuação coordenada de aliados dos Estados Unidos indicam que a ofensiva entrou em fase avançada. O ataque ao país persa faz parte da ofensiva imperialista contra os países que se recusam a se submeter, principalmente deste que é o organizador do Eixo da Resistência.
Essa escalada ocorre em um momento de intensificação geral da política de agressão do imperialismo. As ameaças contra o Irã caminham junto com as ofensivas contra a Venezuela, Cuba e outros países que enfrentam, ainda que de forma limitada, a dominação das grandes potências. O objetivo é destruir qualquer foco de resistência e impor, pela força, regimes cada vez mais reacionários.
A preparação militar vem acompanhada de uma campanha política conduzida pela imprensa imperialista. O método é conhecido. Distúrbios armados, organizados com participação direta de serviços de inteligência estrangeiros, são apresentados como protestos pacíficos. Números absurdos de mortos são divulgados sem comprovação. Trata-se da mesma operação utilizada antes das invasões do Iraque, da Líbia e da Síria.
O Irã apresentou dados oficiais, provas da atuação de agentes estrangeiros e registros da violência armada dos grupos envolvidos. Nada disso tem relevância para a imprensa imperialista. O objetivo não é informar, mas criar o ambiente político necessário para justificar a guerra.
A posição da esquerda diante dessa ofensiva é reveladora. A maior parte aceita a campanha contra o Irã, repete os argumentos da imprensa burguesa e transforma supostos costumes em critério político fundamental. Em vez de enfrentar o imperialismo, prefere ficar a reboque de sua política, tratando o país atacado como inimigo.
Isso expressa a completa capitulação da esquerda pequeno-burguesa. A política é substituída por julgamentos morais abstratos, e o conflito real entre países oprimidos e potências imperialistas é empurrado para segundo plano. Na prática, essa esquerda se coloca ao lado do imperialismo em sua ofensiva.
Do ponto de vista da luta de classes, a questão é básica. O conflito opõe o imperialismo a um país atrasado que resiste à sua dominação. Nessas condições, a obrigação da esquerda é defender o país atacado. Qualquer outra posição fortalece o imperialismo e enfraquece os povos explorados. A recusa em defender o Irã representa uma capitulação política completa. A posição do governo brasileiro é igualmente vergonhosa. A atuação do Itamaraty contribui para a operação política contra o Irã.
A importância do Irã na resistência ao sionismo torna essa obrigação ainda mais clara. A guerra preparada contra o país persa está diretamente ligada à ofensiva contra o povo palestino. O objetivo é destruir o Eixo da Resistência, que enfrenta o genocídio em Gaza, a agressão no Líbano e os ataques no Iêmen. A derrota do Irã abriria caminho para uma escalada ainda mais violenta em toda a região.
A esquerda que acompanha essa política, ou que se cala diante dela, abandona qualquer independência. Defender o Irã é uma obrigação política diante da ofensiva imperialista. Quem se recusa a fazê-lo escolhe, na prática, o lado do imperialismo.
Neste momento, é isso que separa a esquerda de verdade, a esquerda classista, revolucionária, das organizações que substituíram seu programa pelo programa do imperialismo.





