Polêmica

Esquerda eleitoreira começa a campanha para 2026

Com a proximidade das eleições, a esquerda pequeno-burguesa começa a se mexer para ver se consegue votos e conquistar algum cargo no parlamento às custas de reformismo

Urna eletrônica

O artigo 2026: seis propostas para um programa de esquerda, publicado no sítio EsquerdaOnline em 30 de dezembro passado, se entrega logo na primeira frase do primeiro parágrafo: “as eleições de 2026 serão o palco central do debate sobre o projeto de país”. Não se trata de programa de esquerda, mas de um programa eleitoral.

Continuando o parágrafo, escrevem que “de um lado, o bolsonarismo defenderá um programa marcado pelo autoritarismo, negacionismo e pela destruição de direitos. De outro, a candidatura de Lula representará os compromissos com a classe trabalhadora e as maiorias populares. No entanto, o mercado financeiro, a grande mídia e setores da direita pressionarão por um programa rebaixado, que preserve os interesses das elites econômicas”.

A oposição entre democracia x fascismo, é uma farsa que tem servido para justificar a colaboração de classes, como ficou comprovado nas eleições de 2022, quando a maioria da esquerda dizia “Tudo, menos Bolsonaro”. E esse “tudo” compreendia a aliança com setores ultradireitistas, representado, por exemplo, por João Doria (ou Bolsodoria); e setores oportunistas infiltrados na esquerda, como Ciro Gomes, que finalmente voltou para o ninho: o PSDB.

O “negacionismo” e a “destruição de direitos”, fazem parte do mesmo pacote apoiado pela maioria da esquerda pequeno-burguesa: o Supremo Tribunal Federal (STF). Com a desculpa de combater o “negacionismo” da vacina e as informações falsas, o STF passou a destruir os direitos democráticos da população. Alexandre de Moraes, autor do “Inquérito das Fake News”, disse recentemente que o tal “inquérito” não tem prazo para ser encerrado, o que configura uma total arbitrariedade que fere o princípio constitucional de razoável duração do processo. O ministro e a maioria da corte sustenta que o inquérito não pode ser encerrado enquanto houver ameaças contínuas às instituições e à democracia. Ou seja, com a desculpa “proteger a democracia” pisoteiam a Constituição e os direitos dos cidadãos.

Ao ficarem repetindo esse conceito absurdo de “negacionismo”, essa esquerda faz frente com o STF. Aliás, conforme o tempo passa, novas evidências surgem das sequelas deixadas por determinadas vacinas. O que comprova que qualquer pessoa teria, e tem, o direito de questionar qualquer coisa.

A caça ao voto

Segundo o Esquerda Online, “Para vencer [as eleições], a esquerda deve ir além e defender mudanças estruturais”. E passa a apresentar o que considera ser os “seis eixos fundamentais para a construção de um programa de frente de esquerda capaz de transformar o país e derrotar os inimigos do povo”.

A classe trabalhadora já está vacinada com promessas de campanha e provavelmente não vai se sensibilizar. Em todo caso, quem vai acreditar que meia dúzia de questões podem “transformar o país e derrotar os inimigos do povo”? A burguesia vai se deixar derrotar e se resignar sem luta?

Para poupar o tempo do leitor, vamos apresentar os seis tópicos: 1) Mais direitos para a classe trabalhadora: fim da escala 6×1, redução da jornada e tarifa zero; 2) Justiça social: taxação dos super-ricos e combate à desigualdade; 3) Economia para o povo: redução dos juros, revogação do Arcabouço Fiscal e fim da farra das emendas; 4) Em defesa da vida: contra a violência racista, machista, LGBTfóbica e o crime organizado; 5) Soberania nacional e solidariedade latino-americana e 6) Combate prioritário à emergência climática.

A proposta do fim da escala 6×1 vem da própria direita. Na verdade, o objetivo é a Escala 4×3: O modelo de 4 dias de trabalho por 3 de descanso, seguindo uma tendência global de “produtividade” e “bem-estar”. No entanto, não tem nada a ver com produtividade ou bem-estar. A burguesia quer “flexibilizar” a jornada de trabalho, com isso consegue acabar com as horas-extras e adicionais de finais de semana. Com a consequente redução dos salários, os trabalhadores serão obrigados a trabalhar em uma escala 7×0, com substancial aumento dos lucros.

Quanto à taxação dos super-ricos, é um tema recorrente que nunca sai do papel, pois a burguesia impede que isso seja aprovado.

Pretender uma “Reforma Agrária Agroecológica”, como no ponto do 2, é só mais um apelo à classe média. Como essa esquerda pretende peitar o latifúndio?

No ponto 3, onde diz que é preciso reduzir a taxa de juros, não fala nada reestatizar o Banco Central, mas de “ciclo de redução de juros”. No final do tópico, aproveitam atacar o Congresso, falam em “acabar com a farra das emendas parlamentares”. Não que a população não deva controlar seus deputados, mas esse ataque tem servido à burguesia, que tenta governar apenas com o Judiciário.

A “defesa da vida” do ponto 4 é só mais uma concessão à burguesia, que diz combater o “crime organizado”. O EsquerdaOnline não exige o fim das polícias, fala em “reestruturação das forças policiais para romper com o racismo institucional”. Só os tolos acreditam nessa “reestruturação”, como se dar aula de arranjos florais para os policiais os vá tornar menos violentos.

É um absurdo afirmar que “para retomar os territórios, o Estado deve garantir ocupação social e oportunidades nas favelas”. Essa é uma proposta extremamente direitista. Quando a polícia “retoma” os territórios, é para oprimir, como fizeram com Amarildo Dias de Souza em uma UPP na Rocinha. Amarildo foi barbaramente torturado, assassinado, esquartejado, e seu corpo jamais foi encontrado.

A condenação dos policiais envolvidos foi uma fraude. Muitos deles ficaram em prisão domiciliar, ou semiaberto. Alguns foram reincorporados ou continuam trabalhando em funções administrativas.

No tópico sobre o “combate prioritário à emergência climática”, trata-se de mais uma capitulação diante da política do imperialismo, que faz chantagem com relação às tais “mudanças climáticas” para manter os países pobres desindustrializados.

Qual programa?

Essa “esquerda” não tem um programa, sequer toca na palavra socialismo e nem mesmo fala em burguesia, está apenas de olho nas urnas e na conquista de cargos.

Dizer que esses tópicos vão alterar ou transformar o país com essa lenga-lenga não passa de estelionato político. É fruto de uma falência e completa adaptação ao grande capital.

Na ausência de um programa verdadeiramente de esquerda, essa gente se limita a maquiar propostas da burguesia. No máximo, dão um verniz esquerdista, que a cada dia convencem menos e menos a classe trabalhadora, que acaba sendo atraída pela direita.

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