Causa Operária TV

Especial: Plantão Irã faz balanço de três semanas de guerra

Programa diário da COTV em parceria com o DCO reuniu Pedro Burlamaqui, Juca Simonard, Adriana Machado e Victor Assis para discutir a resposta iraniana

O Plantão Irã, programa diário inaugurado em 17 de março e exibido às 16 horas no canal da Causa Operária TV (COTV), em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), dedicou sua edição de domingo a fazer um balanço das três semanas transcorridas desde a agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. Apresentado por Pedro Burlamaqui, com participação de Juca Simonard, Adriana Machado e Victor Assis, o programa sustentou que a resposta iraniana alterou profundamente o quadro militar e político da guerra.

Logo no início, Burlamaqui recordou que a edição tinha como objetivo central retomar os principais acontecimentos desde 28 de fevereiro, data em que os Estados Unidos e “Israel” bombardearam o território iraniano e assassinaram o líder da Revolução Islâmica, Ali Khamenei. Desde então, afirmou o apresentador, o Irã respondeu com a Operação Promessa Cumprida 4, que já somava mais de 70 ondas, além de ter transformado bases, radares e outras estruturas utilizadas pelo imperialismo na região em alvos militares.

Ao comentar o resultado desses combates, Juca Simonard afirmou que a situação para os agressores é de desgaste acelerado, tanto do ponto de vista militar quanto político.

“Basta ver os números. Mais de 200 aeronaves derrubadas pelo Irã. O Hesbolá atingiu um recorde de 55 operações em 24 horas contra alvos israelenses. São mais de duas mil pessoas desalojadas em ‘Israel’, houve ataque à refinaria no Catar, queda na capacidade de produção, recuo de navios e aeronaves norte-americanas. Do ponto de vista militar, é uma situação catastrófica. Não sei se os Estados Unidos já viveram uma situação tão catastrófica em tão pouco tempo de guerra.”

Segundo Simonard, um dos elementos centrais da situação política e militar é a abertura de várias frentes simultâneas contra os interesses norte-americanos e sionistas. Além da frente no próprio Irã, o programa mencionou a atuação do Hesbolá no Líbano, a resistência no Iraque e a pressão crescente sobre as monarquias do Golfo, que se colocaram ao lado do imperialismo e agora passam a sentir as consequências disso.

A reação popular ao conflito também foi um dos principais assuntos da discussão. Adriana Machado ressaltou que a guerra contra o Irã ocorre após dois anos de genocídio na Palestina e num momento em que os Estados Unidos e “Israel” já se encontravam profundamente desmoralizados diante da população mundial.

“O mundo inteiro está vendo que quem está atacando são os Estados Unidos e ‘Israel’. O povo do Irã está nas ruas defendendo o governo desde o primeiro dia, tomando bomba, com milhares de pessoas nas ruas, todas as noites, todos os dias, em manifestação. Até quem antes caía no golpe da imprensa internacional está saindo à rua dizendo: ‘eu não apoio o governo, mas vou defender o meu país’.”

Machado também afirmou que, nos próprios países árabes governados por regimes submetidos aos Estados Unidos, cresce a solidariedade ao Irã. Ela citou casos de censura a jornalistas no Catar e no Líbano e declarou que a continuidade da guerra vem exigindo uma repressão cada vez maior por parte dos setores que procuram sustentar a agressão imperialista.

Outro ponto de destaque no programa foi a crise econômica gerada pela guerra, em especial após o fechamento do Estreito de Ormuz. Victor Assis afirmou que a guerra já está produzindo efeitos graves sobre o próprio imperialismo e que a preocupação manifestada por setores do grande capital não decorre da morte de iranianos, mas do custo crescente do conflito e do risco de colapso energético.

“Já está gerando uma senhora crise. A crítica dos principais porta-vozes do grande capital não tem nada a ver com o povo iraniano estar morrendo. É preocupação econômica. Fala-se em um custo de US$1 milhão por minuto, fora o desastre causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Se a guerra se prolongar por mais algumas semanas, o preço do barril pode chegar a US$200,00 e isso pode provocar um desastre muito grande.”

Ao explicar a importância de Ormuz, Assis disse que o ponto decisivo é o controle exercido pelo Irã sobre a passagem marítima usada para exportar o petróleo do leste da Península Arábica. Segundo ele, não se trata de um bloqueio “físico”, mas da capacidade iraniana de impedir a circulação de navios hostis e de impor um estrangulamento ao comércio da região. O programa destacou ainda que, caso o Ansar Alá intervenha também sobre Babelmândebe, a pressão sobre os países imperialistas tende a se aprofundar ainda mais.

O Plantão Irã dedicou parte importante da edição ao papel dos aliados do Irã. O programa afirmou que o Hesbolá não apenas voltou a atuar em grande escala, como demonstrou capacidade de reorganização após os ataques sofridos em 2024. A mesa também destacou o apoio vindo do Iraque, a possibilidade de ampliação da participação do Ansar Alá e a cooperação técnico-militar de China e Rússia com o Irã. Nesse ponto, Burlamaqui e os comentaristas criticaram duramente a esquerda pequeno-burguesa brasileira que procura apresentar esses países como omissos diante da guerra.

Na parte final, a discussão voltou-se à denúncia de organizações como PSTU e MRT por pedirem a derrubada do governo iraniano em plena agressão imperialista. Para os participantes, essa posição coincide, no fundamental, com a propaganda dos próprios agressores, ao colocar no mesmo plano o imperialismo e o Estado iraniano no momento em que o país se encontra sob ataque militar.

Assista ao programa especial deste domingo na íntegra:

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