Segundo levantamento realizado pelo pesquisador Fernando Cássio, da Universidade de São Paulo (USP), o número de escolas militarizadas no Brasil cresceu quase 30 vezes de 2014 a 2026, nos âmbitos estadual e municipal, chegando, neste ano, a 1.389 unidades em todo o País.
Os estados com mais escolas estaduais militarizadas são o Paraná, com 345 unidades; Mato Grosso, com 134; e São Paulo, com 100. Quanto às municipais, são 116 na Bahia, 101 no Maranhão e 50 em Goiás.
Não bastando o absurdo, há ainda 29 escolas militarizadas privadas no País, das quais 9 estão no Paraná e 5 no Ceará.
O aumento vertiginoso da quantidade dessas escolas se deu no governo Bolsonaro, que, em 2019, propôs esse programa em âmbito nacional. A ideia foi descontinuada, mas os estados tomaram a iniciativa de implementar o modelo por conta própria, especialmente aqueles governados por políticos bolsonaristas e da extrema direita, como Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior.
Essa implementação é a imposição de uma ditadura militar fascista aos estudantes, para conter o pensamento livre e crítico e a rebeldia natural da juventude. Os debates sobre política, religião e sexualidade são censurados, e as atividades dos sindicatos e das organizações estudantis são vedadas.
Há também várias denúncias de violência por parte dos militares para reprimir os “desvios” dos estudantes. No interior do Paraná, um aluno de 14 anos, que desenhou uma folha de maconha e escreveu “Vida Louca” na carteira, foi agredido pelo professor e levou um soco no rosto, além de ser ameaçado de morte para que o caso não saísse dali. Em Goiás, um aluno de 11 anos levou tapas de seu professor, que foi afastado do cargo.
Esse enorme retrocesso só poderá ser enfrentado com uma ampla mobilização dos estudantes, professores e pais de alunos, exigindo a extinção das escolas militares, que, na realidade, são verdadeiros campos de concentração, afetando tanto os alunos em sua formação quanto a vida política dos brasileiros em conjunto.


