A República Islâmica do Irã iniciou nesta segunda-feira (16) uma operação naval combinada denominada “Controle Inteligente do Estreito de Ormuz”, coordenada pela Marinha do Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), em uma das áreas mais importantes do planeta para o comércio de hidrocarbonetos. As manobras ocorrem no Golfo Pérsico e no estreito que liga a região ao mar de Omã, por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente.
O exercício é supervisionado diretamente pelo comandante-chefe da IRGC, major-general Mohammad Pakpour, e conta com a participação de unidades de resposta rápida, operações com mísseis de última geração, sistemas de guerra eletrônica, aeronaves e meios submarinos. Segundo o comando iraniano, o objetivo central é testar a prontidão operacional diante de “possíveis ameaças militares e de segurança”, além de revisar cenários de apoio logístico e contingência.
O almirante Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da IRGC, afirmou que o Irã mantém vigilância total, 24 horas por dia, sobre o estreito de Ormuz, monitorando superfície, espaço aéreo e profundidade marítima. Ele classificou as ilhas iranianas na região como “fortalezas inexpugnáveis” e ressaltou que parte dos novos equipamentos empregados nas manobras permanece sob sigilo.
A primeira fase dos exercícios foi realizada nas ilhas iranianas do Golfo Pérsico, incluindo Greater Tunb, Lesser Tunb e Abu Musa, de onde foram lançadas unidades aéreas não tripuladas e sistemas de ataque contra alvos previamente designados. A fase principal, concentrada no “controle inteligente” do estreito, prossegue com simulações de resposta rápida e abrangente a incidentes no tráfego marítimo.
As manobras ocorrem em um cenário de crescente tensão com os Estados Unidos. O governo Donald Trump confirmou o deslocamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford do Caribe para o Oriente Próximo. Autoridades norte-americanas também anunciaram o envio adicional de destróieres, aeronaves de combate e milhares de militares para a região.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, ao menos 163 voos de aeronaves militares de transporte teriam partido dos Estados Unidos e do Japão rumo ao Oriente Próximo nas últimas semanas. A Casa Branca declarou que a permanência do porta-aviões na região dependerá do desfecho das negociações nucleares com a nação persa.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, general Abdolrahim Mousavi, advertiu que qualquer agressão contra o país implicaria uma resposta de grande alcance, afirmando que uma confrontação daria aos EUA “uma dura lição”.
Paralelamente às manobras militares, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Saied Abbas Araghchi, reuniu-se em Genebra com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, em preparação para a segunda rodada de negociações indiretas entre Irã e Estados Unidos.
Araghchi afirmou ter chegado à Suíça com propostas para um “acordo justo e equilibrado”, reiterando que o Irã não aceitará negociar sob ameaça. A República Islâmica sustenta que as conversas devem se limitar ao programa nuclear e à retirada efetiva das sanções econômicas, rejeitando exigências de interrupção total do enriquecimento de urânio ou a inclusão de temas como seu programa de mísseis.
O governo dos EUA, por sua vez, mantém a posição de que o Irã limite drasticamente suas capacidades nucleares e amplie o regime de inspeções. A Agência Internacional de Energia Atômica busca esclarecimentos sobre estoques de urânio altamente enriquecido e a retomada plena de inspeções em instalações como Natanz, Fordow e Isfahan.
O estreito de Ormuz é considerado um dos principais pontos de estrangulamento do sistema energético mundial. Qualquer alteração significativa no fluxo de navios-tanque pode provocar elevação imediata nos preços do petróleo e do gás, com impactos que se estendem ao custo global de alimentos e insumos básicos.
Ao realizar exercícios de larga escala no local, o Irã reafirma sua capacidade de monitorar e, se necessário, controlar um corredor marítimo vital para as economias regionais e para potências extrarregionais.




