Os Estados Unidos afrouxaram parte das sanções impostas ao petróleo russo em meio à crise aberta no Oriente Médio após a agressão lançada pelos EUA e pelo regime sionista contra o Irã. A informação foi confirmada na sexta-feira (6) pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, em entrevista à Fox News.
Segundo Bessent, os EUA deram à Índia “permissão” para comprar petróleo bruto russo “para aliviar a lacuna temporária de petróleo no mundo”. Ele acrescentou ainda que o governo norte-americano poderá retirar novas restrições sobre o petróleo russo para ampliar a oferta e conter a escalada dos preços. “Vamos manter um ritmo de anúncio de medidas para trazer alívio ao mercado durante este conflito”, declarou.
A medida foi anunciada em meio ao agravamento da crise energética internacional, após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã no fim de semana passado e a resposta militar iraniana contra bases norte-americanas na região. Em resposta à agressão imperialista, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) interrompeu o tráfego regular no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo, por onde passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Com o estreito praticamente fechado ao tráfego comercial, o preço do petróleo disparou. O barril do Brent subiu cerca de 30% e ultrapassou os 94 dólares, registrando sua maior alta semanal desde abril de 2020. O WTI, referência do mercado norte-americano, avançou mais de 38%, cruzou momentaneamente os 92 dólares por barril e teve, segundo os dados citados, seu maior salto semanal desde pelo menos 1985.
Além de aliviar as restrições ao petróleo russo, Bessent afirmou que a Marinha norte-americana deverá começar, dentro de uma ou duas semanas, a escoltar embarcações civis no Estreito de Ormuz. A declaração mostra o grau da crise aberta pela própria ofensiva imperialista, que terminou por atingir diretamente o abastecimento mundial de energia. Um tiro que saiu pela culatra, principalmente levando em consideração que “escoltar” embarcações pelo estreito sem grandes danos é quase impossível.
Índia e China se tornaram os principais compradores de petróleo russo depois que Estados Unidos e União Europeia impuseram sanções a Moscou em 2022, em meio ao aprofundamento da guerra na Ucrânia. Desde então, os EUA vinham pressionando o governo indiano a interromper essas importações. No mês passado, o embaixador norte-americano na Índia, Sergio Gor, afirmou que a Casa Branca usava as negociações comerciais para pressionar o país a trocar o petróleo russo pelo venezuelano. Donald Trump chegou a declarar que a Índia teria concordado em parar de receber carregamentos vindos da Rússia.
O governo indiano, no entanto, nunca confirmou esse compromisso. Na Conferência de Segurança de Munique, realizada na semana passada, o chanceler indiano S. Jaishankar afirmou que Nova Déli segue uma política de “autonomia estratégica” e toma decisões energéticas com base naquilo que considera ser seu “melhor interesse”, levando em conta custos e riscos.
Moscou também declarou não ter qualquer informação de que a Índia tenha suspendido as importações de petróleo russo. Ao mesmo tempo, o Kremlin condenou os ataques dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã, classificando-os como um “ato de agressão premeditado e não provocado”, sem qualquer justificativa.





