Guerra no Oriente Próximo

Em meio a bravatas de Trump, Irã reafirma domínio sobre Ormuz

Porta-voz Ebrahim Zolfaghari classificou as restrições norte-americanas à navegação como um ato de “pirataria”

Nesta segunda-feira (13), horas depois de o Comando Central norte-americano (Centcom) anunciar o bloqueio de todo o tráfego marítimo de entrada e saída dos portos iranianos, a República Islâmica do Itã respondeu dizendo que adotará um mecanismo permanente de controle sobre a passagem e advertiu que, se a segurança de seus portos for ameaçada, “nenhum porto” no golfo Pérsico e no mar de Omã permanecerá seguro.

Segundo o anúncio norte-americano, a medida entrou em vigor às 10h no horário da Costa Leste dos Estados Unidos e vale para embarcações de todas as nacionalidades que entrem ou saiam de portos iranianos, incluindo os localizados no golfo Pérsico e no golfo de Omã. Ao mesmo tempo, o Centcom afirmou que o trânsito pelo Estreito de Ormuz para navios com destino a portos não iranianos não seria impedido. O presidente Donald Trump havia antecipado a escalada depois do fracasso das negociações em Islamabade, afirmando que o único ponto não resolvido era a exigência dos Estados Unidos para que o encerrasse o enriquecimento de urânio.

A resposta iraniana veio do Quartel-General Selo dos Profetas. Em comunicado, o porta-voz Ebrahim Zolfaghari classificou as restrições norte-americanas à navegação como um ato de “pirataria” e afirmou que a segurança no golfo Pérsico e no mar de Omã “é para todos ou para ninguém”. O militar reiterou que embarcações ligadas ao inimigo “não têm e não terão” direito de passagem por Ormuz, enquanto outros navios continuarão autorizados a transitar conforme as regras das Forças Armadas iranianas. O comunicado acrescenta que, diante das ameaças em curso, o Irã passará a aplicar um mecanismo permanente de controle do estreito mesmo após o fim da crise atual.

A nova escalada ocorre logo após o fim, sem acordo, de 21 horas de negociações entre Irã e Estados Unidos em Islamabade. Apesar do impasse, o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, declarou que ainda existe possibilidade de retomada das conversações e que uma nova rodada é esperada em breve. Segundo ele, não surgiram “questões negativas” nas discussões. Ao mesmo tempo, o vice-presidente do Parlamento iraniano, Ali Nikzad, afirmou que Teerã havia demonstrado boa vontade ao aceitar diluir 450 quilos de urânio enriquecido, em vez de entregá-lo, como medida de confiança. O dirigente também disse que, nas conversações, os Estados Unidos chegaram a propor a criação de um marco legal para Ormuz com participação norte-americana, proposta rejeitada pelo lado iraniano.

A crise em torno do estreito também provocou reações imediatas na Europa. O Reino Unido informou que não participará do bloqueio e que não pretende ser arrastado para a guerra norte-americana e israelense contra o Irã. A Espanha também rejeitou a medida, enquanto a Alemanha preferiu tratá-la como aumento de pressão, e não como encerramento do processo diplomático. Em paralelo, França e Reino Unido anunciaram a convocação de uma conferência para discutir uma missão multinacional descrita como “defensiva” e “pacífica”, destinada a restabelecer a liberdade de navegação em Ormuz.

Do lado iraniano, a posição segue sendo a de rejeição a qualquer presença militar estrangeira na via marítima. O Irã sustenta que a segurança da área deve ser garantida pelos países da região e já havia deixado claro que considera a aproximação de embarcações de guerra estrangeiras uma violação do cessar-fogo. Segundo os textos enviados, o estreito permanece fechado aos Estados Unidos e a seus aliados, enquanto embarcações não vinculadas aos Estados Unidos e a “Israel” vêm obtendo autorização de passagem após coordenação com a República Islâmica.

O impacto econômico da crise já começou a aparecer. Analistas citados nos materiais afirmam que a possibilidade de interrupção prolongada em Ormuz, por onde passa parte expressiva das exportações mundiais de petróleo, aumentou a volatilidade nos mercados de energia e pressionou especialmente as economias asiáticas, mais dependentes do fornecimento vindo do Golfo.

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