A produção industrial brasileira está 13,3% abaixo da média de 2011. O número, divulgado pela Folha de S.Paulo no editorial Indústria estagnada, mostra o resultado de um longo período de retrocesso. Mais de duas décadas depois da primeira eleição de Lula, as promessas petistas de industrialização esbarram em um País que produz menos do que produzia há 15 anos.
Desde janeiro de 2002, o crescimento acumulado da indústria foi de apenas 13,8%. A atividade extrativa avançou 55,7%, enquanto a indústria de transformação, responsável pela fabricação de máquinas, equipamentos e bens de consumo, cresceu somente 10%. A extração de riquezas naturais se expandiu muito mais do que a capacidade de transformá-las em produtos industriais.
O período inclui o último ano de Fernando Henrique Cardoso e os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, além dos mandatos petistas. Também houve crescimento na primeira década, que melhorou o resultado acumulado desde 2002. A expansão, no entanto, não se sustentou.
O PT procurou estimular a produção sem romper com os interesses que a sufocam. O crédito caro encarece a compra de máquinas, a ampliação das fábricas e o financiamento das operações. Nessas condições, incentivos a determinados setores não bastam para garantir uma expansão duradoura do conjunto da indústria.
A comparação internacional mostra que a queda brasileira não pode ser atribuída apenas às dificuldades da economia mundial. Conforme os dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial reproduzidos pela Folha, a produção brasileira caiu 14% entre 2011 e julho deste ano. No mesmo intervalo, a mediana de 68 países registrou crescimento de 27%.
Em eletrônicos e computadores, a produção nacional recuou 40%, enquanto a média mundial citada no editorial avançou 51%. A queda atinge um setor do qual dependem inúmeras outras atividades econômicas e aumenta a necessidade de importar equipamentos e tecnologia. Apenas papel e celulose, coque e refino de petróleo tiveram desempenho superior ao padrão mundial no levantamento.
As diferenças entre os estados também são grandes. Desde 2002, a produção industrial do Pará cresceu 119,2%, impulsionada pela mineração. Goiás, onde se destacam o polo industrial de Anápolis e as atividades ligadas à agropecuária, registrou alta de 107%. Ceará e Bahia, por sua vez, acumularam quedas de 8,6% e 7,4%.
Quando a referência passa a ser a média de 2011, os resultados dos dois estados que mais cresceram diminuem para 18,7%, no Pará, e 27%, em Goiás. A expansão concentrada na extração mineral e nas atividades ligadas às matérias-primas não impediu o recuo nacional.


