Trabalhadores de empreiteiras do setor elétrico decidiram iniciar greve em São Paulo, na quarta-feira (3), a partir da meia-noite. A paralisação foi mantida após audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), na segunda-feira (2), sem avanço econômico na Campanha Salarial 2026/2027.
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Elétrica de São Paulo (STIEESP) participou da audiência e comunicou que a proposta patronal havia sido rejeitada em assembleia. A mobilização envolve empregados de empresas como Start, Cosampa, Cema, Conecta, B. Tobace, EngelMig, Alpitel, PSE, Engeserv/Engeserves, LIG e Manserv, todas vinculadas a serviços no setor elétrico.
O ponto central da greve é o reajuste salarial. A proposta das empresas manteve apenas a reposição pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sem ganho real. Para os trabalhadores, isso significa preservar formalmente o poder de compra, mas sem qualquer melhora concreta diante do aumento do custo de vida e das condições de trabalho enfrentadas pela categoria.
Durante a audiência, a representação patronal tentou apresentar uma cláusula de paz, condicionando a manutenção do reajuste pelo IPCA à suspensão de paralisações. O STIEESP recusou a proposta e reafirmou o direito de greve. O TRT-SP não concedeu a liminar pedida pelo setor patronal e reconheceu que ainda não havia critérios definidos pelas empresas para garantir serviços essenciais durante a paralisação.
O tribunal determinou que as partes apresentem, em até 24 horas, uma proposta conjunta sobre a manutenção dos serviços indispensáveis à população, conforme a Lei de Greve, o que pode minar o direito de greve dos eletricitários, a depender do encaminhamento. Ao mesmo tempo, reforçou a continuidade das negociações para tentar resolver o impasse.
A greve expressa uma situação comum entre trabalhadores terceirizados e de empreiteiras: eles exercem funções fundamentais para o funcionamento do setor elétrico, mas enfrentam pressão salarial e resistência patronal a reajustes acima da inflação. O discurso empresarial costuma apelar ao risco de prejuízo à população, mas a falta de acordo nasce da recusa em atender reivindicações econômicas básicas.
O presidente do sindicato, Eduardo Annunciato, conhecido como Chicão, afirmou que a greve é consequência da falta de avanço das empresas. A categoria foi orientada a acompanhar os canais oficiais da entidade, pois novas deliberações podem ocorrer conforme o andamento das negociações e das determinações do tribunal.



