O governo Lula anunciou recentemente, como se fosse uma “grande realização”, a marca de 150 concessões públicas. A propaganda oficial tenta vender o dado como um sinal de eficiência, destacando que este governo superou Jair Bolsonaro, Dilma Rousseff e até os mandatos anteriores do próprio PT em volume de parcerias com o setor privado.
O que o governo chama de “concessão”, o movimento operário deve chamar pelo nome correto: privatização. Na prática, Lula está colocando em execução o plano de desestatização elaborado por Paulo Guedes, que o governo anterior não conseguiu levar a cabo integralmente.
Exemplos absurdos já começam a surgir. Organizações já protestam contra a concessão de trechos do Rio Negro — uma privatização das águas que entrega o controle de recursos estratégicos a empresas privadas, muitas vezes estrangeiras. A situação dos Correios é ainda mais alarmante. O governo está conduzindo a maior estatal do país, que emprega cerca de 100 mil pessoas, a uma falência programada. Sob a influência dos bancos e sob o pretexto de uma “reestruturação”, o plano prevê a demissão de 15 mil trabalhadores.
Ao adotar essa política abertamente neoliberal, o governo contraria todas as promessas de campanha. Mesmo que não venha a privatização direta hoje, o terreno está sendo preparado para que a empresa seja entregue de bandeja no futuro próximo.
A experiência cotidiana do brasileiro com as concessões é amarga. Vemos isso nas estradas: vias que eram públicas passam para mãos privadas e o resultado são pedágios abusivos que arrancam o couro da população. O destino das novas concessões em portos, aeroportos e vias fluviais será o mesmo: o povo pagará para que grupos milionários se enriqueçam.
Essa política representa a liquidação do governo Lula enquanto governo popular. Os setores que fecham os olhos para esse fato ignoram que o governo está, na verdade, criando novos problemas em vez de resolvê-los.
É por este motivo que as eleições não resolverão os problemas do Brasil. Há 40 anos, a solução apresentada pelo PT é a de que basta ganhar o pleito para mudar o País. No entanto, a atual gestão mostra-se incapaz de enfrentar os interesses do capital. Pelo contrário, capitula diante deles. Ganhar ou perder a eleição não altera a situação se a política seguida for a do adversário.





