Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Eleição Bancários DF: a ‘Democracia Operária’ segundo a Chapa 2

“Temos aqui um espetáculo de primeira classe: medidas grotescas a embalar ambições sem fim”

A Chapa 2, “Alternativa” Bancária (PCBR, PSTU, PSOL, PCB, UP e agregados), que se lançou para a próxima eleição para a diretoria do Sindicato dos Bancários de Brasília, que se realizará no começo de março próximo, nas suas propagandas eleitorais dá prova de que assimilou rápido a tradicional lição e costumeira hipocrisia dos democratas e políticos burgueses de dizer uma coisa e fazer outra completamente diferente.

Em contraposição à “Democracia Operária”, à “Independência de Classe, Autonomia de Partidos Políticos” e à “Diretoria Colegiada”, que a tal “Alternativa” Bancária alardeia em seus boletins e materiais de campanha, é bom deixar transparente o antidemocratismo desses oportunistas travestidos de esquerdistas.

Os membros do MNOB (Movimento de Oposição Bancária) foram sumária e burocraticamente alijados da composição da Chapa 2 (“Alternativa” Bancária) no processo de sua formação.

Conforme nota divulgada pelo MNOB, cujo título é “Para mudar o sindicato dos bancários de Brasília e dirigir as lutas da categoria é preciso um programa e uma chapa de oposição coerente com princípios da democracia dos trabalhadores”, do dia 22 de janeiro de 2026, revela que esse papo de “democracia” da Chapa 2 é conversa fiada na tentativa de enganar os mais desavisados.

Segundo a nota do MNOB: “na primeira reunião para essa específica fase de composição, nós, da Oposição Bancária, avaliamos que a divisão deveria ser de 40% para nós e 60% para a Alternativa, que não pleiteávamos indicar a cabeça da chapa. Essa proposta foi aceita sem contestação nessa reunião”… e continua: “nesta semana, às vésperas da inscrição da chapa unitária, na segunda reunião para a montagem da chapa, fomos surpreendidos pela mudança da posição da Alternativa. Agora desconsideravam a proposta de divisão da chapa anteriormente aceita e passaram a impor um mínimo que rebaixava a participação da nossa Oposição Bancária. Esta mudança não tratava apenas de números. Para nós, isso representou um golpe às vésperas da inscrição da chapa junto à Comissão Eleitoral. Ficou evidente que a Alternativa conseguiu um número suficiente de adesões para compor a chapa para essa eleição e resolveram mudar o acordado para impor essa condição, pois isso refletia o pensamento majoritário nessa organização de que nós ‘sozinhos podemos montar a chapa’, e isso é o que importa! Esse tipo de prática, infelizmente, não é nova no movimento sindical brasileiro. Organizações começam a montar uma aliança primeiro baseadas em critérios políticos e depois viram jogo ao saber das novas oportunidades surgidas. Típico dos que só consideram obter vantagens particulares de poder para sua corrente, em detrimento de considerações que expressariam uma chapa de maior alcance em todos os bancos públicos, majoritários em nossa categoria e, portanto, com maiores possibilidades de vitória. Essa é uma visão que olha apenas para o seu umbigo e, de forma clara e objetiva, visa apenas a difusão de uma corrente partidária hegemônica na Alternativa”… e termina: “nós, da Oposição Bancária, saímos dessa chapa que não sabe o que é importante para se construir uma unidade nesta empreitada eleitoral”.

A Chapa 2, “Alternativa” Bancária, que não é alternativa para nada, já na largada do processo, ou seja, na inscrição da chapa, cerceou o direito democrático de outro setor participar da composição e revela a desonestidade política do setor majoritário da chapa (diga-se PCBR, grifo nosso) e da chapa como um todo, já que outros partidos que compõem a chapa foram submissos caninamente à decisão (tudo em nome de uma boquinha), mesmo tendo os seus cargos na chapa diminuídos.

Outra questão que chama a atenção — e, nesse caso, os oportunistas tentam ludibriar os mais desavisados — é a conversa de que a chapa prega a “Independência de Classe” através de uma suposta “autonomia total frente a governos, patrões e partidos”, sendo que a chapa é toda composta por representantes de partidos políticos (PCBR – Partido Comunista Brasileiro Revolucionário; PSTU – Partidos Socialistas dos Trabalhadores Unificados; PCB – Partido Comunista Brasileiro; UP – Unidade Popular).

É preciso denunciar a desonestidade política desses impostores da Chapa 2, bem como as artes de que se valem para buscar impor a sua política burocrática. Ao contrário da propaganda “democrática” de uma chapa “formada por indignados e decididos a recolocar o sindicato nas mãos da classe”, o que se vê é a política oportunista cujo único objetivo é a disputa por uma “boquinha” que perseguem na burocracia sindical. Diz o ditado que, para reconhecer o coxo, nada melhor do que vê-lo andar. Pois aqui temos. Temos aqui um espetáculo de primeira classe: medidas grotescas a embalar ambições sem fim.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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