No dia em que começou a agressão imperialista-sionista contra a República Islâmica do Irã, o jornal O Estado de S. Paulo publicou um editorial que chamou a atenção por sua extrema franqueza. O título — Ninguém vai chorar pelo Irã — escancara o quanto a burguesia é fascista.
Se o Estadão dissesse que “ninguém vai chorar por Khamenei” já seria fascista e mentiroso, pois estaria celebrando a morte de uma das lideranças mais populares do planeta. No entanto, o jornal poderia, para disfarçar, alegar que se tratava de uma crítica política ao Líder da República Islâmica.
Mas quando o editorial foi publicado, nem se sabia do assassinato de Saied Ali Khamenei. Trata-se, portanto, de um artigo contra todo um povo. Um texto tipicamente fascista. Que diferença faz dizer que não importa o massacre do povo iraniano e o massacre dos judeus na Segunda Guerra Mundial?
Para o Estadão, o povo iraniano deveria ser massacrado por causa de “milícias aliadas”, por causa da “elite iraniana”, por causa do “nefasto regime”. E justamente por considerar o povo iraniano sub-humano, o jornal estabelece que “a clareza moral impõe reconhecer que o Irã é um Estado pária e não pode ter uma bomba nuclear em hipótese alguma”. E por qual razão o povo norte-americano poderia ter milhares de bombas?
Diante dos Estados Unidos, o único país do planeta que já detonou bombas nucleares contra populações civis, a suposta ameaça de uma bomba atômica iraniana é piada. O que é muito sério, no entanto, é o que o Estadão indica em seu artigo. Se o Irã não pode ter uma bomba nuclear em hipótese alguma e se ninguém irá chorar pelo Irã, então, para o jornal, está mais que justificado jogar uma bomba atômica no Irã, desde que o imperialismo use de pretexto a “ameaça iraniana”.


