O artigo Petrobrás tem vazamento na Foz do Amazonas, escancarando as mentiras da “absoluta segurança” faladas pelo governo e empresa, publicado no sítio Esquerda Diário nesta segunda-feira (6), recorre à mentiras grosseiras para defender os interesses do imperialismo na região amazônica. A própria foto do artigo quer nos levar a crer que estão perfurando no desembocadouro do Amazonas.
No primeiro parágrafo, dizem que “a Petrobrás confirmou que, neste domingo, 4 de janeiro, aconteceu o primeiro vazamento relacionado à perfuração da Bacia da Foz do Amazonas. A exploração ocorria no poço Morpho, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, cujo vazamento estimado foi de 14 m³ de fluido de perfuração. A estatal comunicou que houve perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares e que a operação foi paralisada para análise e reparo”.
A fraude no título induz o leitor a acreditar que vazou petróleo e, mesmo que fosse, 14 metros cúbicos não são absolutamente nada comparado ao tamanho do oceano. Para que o leitor tenha uma ideia do que isso representa, seria como estar dentro de uma sala com aproximadamente 14 passos de largura, comprimento e altura.
Além disso, o fluido é de baixa toxidade e biodegradável, como a Petrobrás explicou. E, como qualquer um faria, a empresa interrompeu a operação para analisar, fazer os reparos no equipamento e continuar o trabalho.
Em vez de tratar a coisa como é, o Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) faz alarmismo dizendo que “apesar das alegações de que o material é ‘biodegradável” e “de baixa toxicidade”, a empresa se apressou em minimizar o incidente, alegando não haver danos ao meio ambiente ou riscos às pessoas. O vazamento, no entanto, evidencia que as promessas de uma exploração “segura” e “ambientalmente responsável” são frágeis e mentirosas. Trata-se de uma operação desenhada para aumentar os dividendos dos acionistas, em sua maioria estrangeiros, em detrimento dos riscos ambientais locais e do aquecimento climático global”.
Nós teríamos que nos preocupar se, detectado um vazamento qualquer a empresa o ignorasse. Sobre os tais “riscos ambientais”, quais desastres a empresa produziu? E, é preciso dizer, não existe atividade sem risco, isso serve para qualquer ramo de atividade.
Fake news, pode?
Em um mundo onde a esquerda fica histérica quando se trata de fake news, é curioso ter de ler que “a região da Bacia da Foz do Amazonas abriga um dos últimos grandes sistemas de recifes ainda pouco estudados do planeta, além de espécies nativas sensíveis às operações de plataforma, às instalações e transporte de carga, que também podem afetar as áreas litorâneas da extensa costa ligada à bacia da Foz do Amazonas”.
Essa história dos recifes foi inicialmente alardeada pela ONG imperialista Greenpeace. Recentemente, geólogos classificaram a “barreira de corais” como uma “fake news científica”, pois se trata de rochas carbonárias antigas (fósseis) e não recifes de corais vivos e em crescimento.
A Petrobrás disse que fez mapeamento detalhado da região (inclusive com o uso de robôs) e que o bloco onde pretendem perfurar (FZA-M-59) está a cerca de 160 km da costa e longe de qualquer formação recifal significativa. Para a empresa, acertadamente, o termo “coral” foi usado de forma exagerada para criar um apelo emocional e impedir a exploração de uma reserva que pode ser o “novo Pré-Sal”. Outro truque da esquerda pseudo ecológica é chamar a região de “Foz do Amazonas” em vez de Margem Equatorial, que compreende uma região ampla e bastante afastada da costa.
O que está em jogo
Para o MRT, tudo não passa de uma guerra por dividendos. O texto afirma que “a ofensiva imperialista sobre o petróleo venezuelano, muitos analistas tem afirmado, pressiona a gestão pró-dividendos da Petrobrás a colocar o pé no acelerador para explorar mais e mais rapidamente à região (mesmo com maiores riscos)”.
Começando pelo final, se a operação tem mesmo que ser feita com “maiores riscos”, por que a empresa interrompeu os trabalhos quando detectou uma falha de equipamento? A existência da maior reserva do mundo conhecida, na Venezuela, justamente faz com que o imperialismo cresça os olhos e tente a todo custo impedir que o Brasil explore suas reservas, que têm potencial para serem ainda maiores que os do país vizinho. E para isso se utiliza de ONGs, ministras infiltradas no governo, e da esquerda ongueira.
Outra estratégia do MRT é bater na tecla da “crise climática”, uma política criada pelo imperialismo para impedir que países pobres se industrializem. Dizem que a Terra “não tolera mais a queima de combustíveis fósseis, e [a “crise climática”] será agravada pela política do governo brasileiro e da petroleira, que são parte da destruição do futuro do planeta” o que não passa de uma chantagem barata. Para começar, petróleo não se resume a combustíveis, mas a uma larga cadeia que compreende milhares de produtos, que vão de vestuário a remédios.
Desviando do assunto
Para tentar justificar seus argumentos falaciosos, o MRT apela para outra questão, alega que a gestão da Petrobrás que está querendo explorar o petróleo (é para isso que a empresa existe) é a mesma “que ataca e tentou criminalizar e judicializar a luta dos petroleiros”. Mas são dois assuntos completamente diferentes.
O texto alega que “a luta dos petroleiros aponta um caminho que poderia se desenvolver para fazer frente a essa política poluidora. Os trabalhadores petroleiros tem vastos conhecimentos técnicos que permitem atuar com muito maior segurança do que os mandos e desmandos da empresa impõe a serviço do lucro, e mais que isso, a empresa sob seu controle ao invés de gerar poucos empregos com exploração poderia estar desenvolvendo tecnologias e transição energética”.
Exatamente, foram justamente esses trabalhadores com vasto conhecimento que detectaram o vazamento de fluido de perfuração e trataram logo de corrigir. Será que o MRT não percebeu?
Quanto a desenvolver tecnologias de “transição energética”, isso só pode acontecer paralelamente à exploração de petróleo. Ou os aloprados do MRT acreditam que se pode desenvolver tecnologias sem recursos financeiros? Aliás, a Petrobrás e reconhecida mundialmente por suas inovações tecnológicas.
No final do texto, o MRT diz que defende “uma Petrobrás 100% estatal, sob o controle direto dos trabalhadores, administrada pelos trabalhadores junto a ambientalistas e outros especialistas eleitos em universidades públicas, para que os recursos naturais do país sejam utilizados com responsabilidade social e ecológica, e não em benefício dos lucros capitalistas que já são 45% imperialistas. É preciso romper com o modelo extrativista do capital e construir um plano energético de transição que esteja nas mãos da classe trabalhadora e a serviço da maioria da população”.
A pergunta é: enquanto não chega a tal “transição energética” (que deve demorar muitas décadas), o que a Petrobrás deve fazer, parar de explorar o petróleo? Se fizer isso, vai viver de quê?
O que essa gente propõe é uma verdadeira loucura: que o Brasil deixe uma riqueza importantíssima e cobiçada debaixo da terra; o que, no final das contas, corresponde aos interesses do imperialismo, que quer ele mesmo explorar esses recursos.




