A categoria bancária vem sofrendo ataques sistemáticos orquestrados pelos banqueiros. Este Diário vem denunciando diariamente essa ofensiva reacionária dos patrões, principalmente no que se refere às reestruturações, com o fechamento de centenas de agências bancárias e dependências administrativas, arrocho salarial, assédio moral praticado pelos chefetes de plantão, cujo objetivo é alcançar metas de venda de produtos bancários, e demissões, que vêm ocorrendo em proporções extratosféricas.
No site da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), a publicação de 7 de janeiro noticia mais uma dessas arbitrariedades dos banqueiros, cujo título faz referência ao Fechamento de 250 agências do Itaú provoca caos no atendimento e sobrecarrega bancários e clientes. O teor da matéria descreve as atividades realizadas na Bahia e denuncia a falta de estrutura nas agências receptoras e os prejuízos à população e, para isso, a “Contraf-CUT orienta clientes a recorrerem ao Procon”.
É ou não é uma verdadeira pérola!
Uma confederação que reúne mais de uma centena de sindicatos, com milhares de trabalhadores filiados, com esse poder gigantesco, conclama a população a acionar o Procon, como se esse órgão fosse resolver os problemas do povo e dos trabalhadores bancários contra a máquina monstruosa que são os banqueiros, que exercem poder na economia, no Banco Central, nos governos, nos parlamentos etc.
A matéria continua, e a Contraf denuncia uma situação que se repete em várias regiões do País: adoecimento dos bancários, sobrecarga de trabalho, atendimento precário para os clientes, agências superlotadas etc. Segundo a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, Valeska Pincovai, a política de fechamento de agências aprofunda a exclusão bancária e penaliza trabalhadores e clientes. “O banco está fechando agências sem planejamento, deixando a população sem atendimento e jogando a sobrecarga para outras unidades que não têm estrutura nem funcionários suficientes. Nas periferias, as agências estão completamente lotadas. É uma situação caótica, que adoece os bancários e desrespeita a população” (site da Contraf, 7/1/2026).
A matéria finaliza com a pérola que citamos acima: “A Contraf-CUT alerta que o fechamento de agências afeta principalmente idosos, pessoas com deficiência e clientes que dependem do atendimento presencial. Diante desse cenário, a entidade orienta que a população registre reclamações nos Procons, denunciando a superlotação, a demora no atendimento e os prejuízos causados pelo encerramento das unidades” (idem).
Esse tipo de política evidencia a completa falência da burocracia sindical, que tenta negar o óbvio: sem uma plataforma de reivindicações concretas, sem propostas de luta capazes de mobilizar os trabalhadores — que não são convocados a reagir, embora a categoria bancária já tenha dado diversas demonstrações de disposição de luta. Quando falamos de falência, não se trata, logicamente, dos sindicatos nem da disposição de luta dos trabalhadores, mas da política dessas direções atuais, que nada mais é do que uma política esgotada diante do avanço da crise capitalista, isto é, a política de conciliação de classes, da frente ampla, de total capitulação diante dos patrões.
Essa política da burocracia precisa ser amplamente debatida entre os trabalhadores, nos sindicatos, com base na realidade, na história de luta da classe trabalhadora e em suas necessidades atuais, diante dos brutais ataques dos banqueiros contra os trabalhadores bancários e a população em geral.





