Nesta quinta-feira (12), às 19h, o Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), em São Paulo, realiza um debate em comemoração aos 47 anos da Revolução Iraniana, ocorrida em 11 de fevereiro de 1979. O evento contará com a participação do xeique Hossein Khaliloo e de uma apresentação de música tradicional iraniana, destacando a importância histórica de uma das maiores revoluções operárias do século XX.
A atividade ocorre no dia seguinte ao aniversário da queda da ditadura do Xá Reza Pahlavi, regime sustentado pelo imperialismo norte-americano e imposto ao país após o golpe organizado pela CIA em 1953. A revolução de 1979 pôs fim a 26 anos de terror policial, censura e repressão brutal contra trabalhadores, estudantes e organizações populares.
A Revolução Islâmica foi, acima de tudo, uma gigantesca mobilização das massas operárias e populares do Irã contra um regime pró-imperialista que saqueava o petróleo do país e mantinha a população sob vigilância permanente da polícia política SAVAK.
O golpe de 1953 havia derrubado o primeiro-ministro nacionalista Mohammad Mossadeq após a nacionalização do petróleo iraniano, medida que contrariava diretamente os interesses das grandes petroleiras britânicas e norte-americanas. A partir daí, o Xá governou com mão de ferro, sustentado pelo imperialismo.
Nas décadas seguintes, o rápido processo de industrialização e urbanização formou uma poderosa classe operária concentrada principalmente em Teerã. Quando a crise mundial do capitalismo atingiu o país nos anos 1970, a insatisfação acumulada explodiu em uma onda de greves, manifestações e enfrentamentos que culminaram na derrubada da monarquia.
O episódio decisivo ocorreu após a chamada “Sexta-feira Negra”, em setembro de 1978, quando tropas do regime abriram fogo contra manifestantes na Praça Jaleh, em Teerã. A repressão não conteve o movimento; ao contrário, generalizou a greve para setores estratégicos, especialmente a indústria do petróleo. O regime entrou em colapso poucos meses depois.
Em 11 de fevereiro de 1979, as forças armadas declararam neutralidade diante do levante popular, selando a vitória da revolução. O aiatolá Ruhollah Khomeini, que retornara do exílio dias antes, assumiu a direção do novo regime, proclamando a República Islâmica do Irã.
Entre as principais medidas do novo governo estiveram a estatização completa da indústria do petróleo e a expulsão da influência direta das potências imperialistas. A ocupação da embaixada dos Estados Unidos em Teerã, ainda em 1979, revelou documentos sobre a ingerência norte-americana na política iraniana e aprofundou o conflito com o regime norte-americano.
Desde então, o Irã se consolidou como um dos principais obstáculos à dominação imperialista no Oriente Próximo, enfrentando sanções econômicas, campanhas de desestabilização e, já nos anos 1980, uma guerra devastadora incentivada pelos Estados Unidos por meio do regime de Saddam Hussein no Iraque.
Passadas quase cinco décadas, a Revolução Iraniana permanece como marco histórico da luta dos povos oprimidos contra a ingerência estrangeira e as ditaduras sustentadas pelo imperialismo.
O debate desta quinta-feira no Centro Cultural Benjamin Péret busca resgatar esse processo histórico e discutir sua atualidade política, especialmente diante do cenário de intensificação das tensões no Oriente Próximo e das ofensivas imperialistas contra países que mantêm uma política de soberania nacional.
Participe!
O CCBP fica localizado na Rua Conselheiro Crispiniano, 73 — República.





