Em meio à mobilização realizada nesta sexta-feira (23), por ocasião do 68º aniversário da queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez, o secretário-geral do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, afirmou que o maior triunfo do povo venezuelano será trazer de volta ao país o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. O ato teve como eixo central a exigência de libertação imediata da direção do Estado venezuelano, sequestrada em ataque conduzido pelos Estados Unidos.
Durante a marcha, Cabello declarou que a presença massiva nas ruas expressa a unidade em torno do projeto bolivariano. “Sabe o povo que aqui estamos todos resteados com o mesmo projeto, o projeto bolivariano, o projeto de Chávez”, disse. Segundo ele, a mobilização buscou “celebrar a lealdade absoluta com o irmão presidente Nicolás Maduro e com Cilia Flores”.
“Sabe o mundo inteiro que é um sequestro. Foram sequestrados da Venezuela e levados aos Estados Unidos. Desde aqui exigimos a libertação; nosso povo está na rua exigindo a libertação do presidente todos os dias”, afirmou.
A denúncia ocorre após a agressão militar realizada em 3 de janeiro por forças norte-americanas contra território venezuelano, que deixou ao menos 100 mortos e número semelhante de feridos. No curso dessa operação, ordenada pelo governo de Donald Trump, a direção do Estado foi sequestrada e levada para Nova Iorque.
Cabello destacou que a jornada teve como marca a reafirmação da lealdade popular e relatou um episódio vivido durante a mobilização. Uma militante o advertiu para que deixasse de lado a expressão de indignação, lembrando que “nossa bandeira sempre foi a da alegria”. Segundo o dirigente, mesmo nos momentos mais difíceis, o povo bolivariano foi aos enfrentamentos “com alegria, com entusiasmo e com vontade de vencer”.
O secretário-geral do PSUV reconheceu que o sequestro do presidente representou “um duro golpe de tristeza, de raiva, de dor e de frustração”, mas ressaltou que a reação popular demonstra que “este povo não é detido por ninguém”. Remetendo-se às formulações do comandante Chávez sobre a resistência ativa prolongada, Cabello afirmou que a luta seguirá até que Maduro e Cilia Flores retornem ao país junto de seu povo.
No pronunciamento, Cabello também solicitou apoio “constante e permanente” à vice-presidenta executiva Delcy Rodríguez, que, segundo ele, “tem estado à frente, dando a cara” diante da agressão imperialista. O dirigente assegurou que a condução do processo bolivariano não se desviará do caminho traçado por Bolívar e Chávez. “Tenham a certeza e a segurança de que jamais nos desviaremos desse caminho. Sempre fomos pelo caminho da revolução bolivariana, inclusive nas piores situações”, declarou, mencionando a pandemia e as tentativas de golpe de Estado.
Cabello enfatizou que, desde o sequestro do presidente, não houve um único dia sem manifestações populares. “Não houve nem um dia em que este povo não tenha saído à rua para exigir que nos devolvam Cilia e que nos devolvam Nicolás”, disse. Ao recordar o período da chamada Quarta República, contrastou a repressão então aplicada às reivindicações populares com a relação construída pelo chavismo, baseada na mobilização consciente das massas.
A mobilização de 23 de janeiro de 2026 reafirmou, segundo Cabello, a disposição do povo venezuelano de enfrentar a intervenção norte-americana e defender sua soberania. “Os olhos do mundo estão sobre a Venezuela. Os povos livres sabem que o país sairá adiante e que, em qualquer circunstância, nós venceremos”, concluiu.





