Realizada no último dia 17 de agosto, com a presença de cerca de 50 mil bancários em todo o País, a assembleia da categoria serviu como termômetro para demonstrar a enorme disposição de luta presente entre a maioria dos 450 mil trabalhadores bancários de todo o Brasil, que desenvolvem sua campanha salarial em meio à grave crise econômica e social por que passa o País, aprofundada pelos diversos planos dos sucessivos governos, que vêm levando a categoria a acumular, nos últimos anos, gigantescas perdas salariais.
Um exemplo disso é a situação do piso dos bancários nos dias de hoje. Na década de 1990, o piso salarial dos bancários girava em torno de 12 salários mínimos. Hoje, esse mesmo piso está em pouco mais de 3 salários mínimos, ou seja, a categoria estaria necessitando de um reajuste de 460% para recompor o seu poder de compra.
Além desse violento arrocho salarial, a maioria dos bancários tem de enfrentar as constantes pressões para a realização de trabalho fora da jornada normal, gratuitamente, e viver ameaçada pelo fantasma das demissões.
Diante de tamanho arrocho salarial, a atual Campanha Salarial é uma questão vital e, por isso mesmo, não pode ficar no mesmo pântano das campanhas salariais anteriores, que foram derrotadas pelo predomínio da política das direções do movimento de entendimento com os banqueiros e o governo ou de recuo diante das ameaças de julgamento no TST (Tribunal Superior do Trabalho).
Os banqueiros, nessa última rodada de negociação, que aconteceu nesta terça-feira, reafirmaram as suas propostas de reajustes por faixas salariais, de fragmentação do aumento dos vales-refeição e alimentação, congelamento do piso de ingresso para os novos bancários, a permanência da política de demissões, metas abusivas, dentre os mais diversos ataques às reivindicações da categoria e aos seus direitos conquistados através de décadas de lutas.
Além disso, ameaçam, no caso de greve, levar a campanha para o terreno dos tribunais reacionários, cujo objetivo é aplicar o fim da ultratividade, que teve o seu fim no governo do golpista Michel Temer.
A resistência à ofensiva dos banqueiros somente pode se dar sobre a base da defesa das necessidades vitais dos trabalhadores. A base para qualquer mobilização independente é, portanto, um programa que dê um caráter geral e consciente a essas necessidades vitais: piso salarial de R$ 8 mil; escala móvel de salários; aposentadoria integral; fim das terceirizações; estabilidade no emprego; defesa das conquistas históricas da categoria etc.
Somente um programa que parta das necessidades mais sentidas dos trabalhadores, como a defesa da sua sobrevivência, pode articular a resistência à ofensiva dos patrões e dos governos. Sobre a base desse programa, é necessário um plano de lutas que supere o imobilismo da política de conciliação e dê um caráter unitário às tendências de luta presentes entre os trabalhadores.
Nesse sentido, com o grau de disposição da categoria bancária em responder aos ataques dos banqueiros, é necessário dar continuidade ao movimento e, para isso, deve-se propor a imediata convocação de um congresso nacional extraordinário — presencial —, com delegados eleitos nos seus locais de trabalho, sobre a base de uma campanha de mobilização contra a intransigência dos banqueiros, e organizar a greve por tempo indeterminado até que as reivindicações dos trabalhadores sejam atendidas.





