Coluna

Devolvam os celulares dos alunos

Campanha de censura na educação aumenta sem parar

Já foi denunciado inúmeras vezes nesse Diário que a campanha contra o uso de celulares na escola é, na verdade, parte de uma campanha mais geral de censura. No caso dos jovens, tentam o tempo todo travestir a censura de proteção, dizendo que estão protegendo os adolescentes da pedofilia, que querem fomentá-los a prestar atenção nas aulas, e sei lá mais o quê. Acontece que, assim como quase tudo na vida, a farsa foi gradativamente revelada e, na semana passada, com a proibição de celulares nas universidades, atingimos um novo patamar de clareza.

É importante fazermos um breve histórico da escalada da censura recentemente. Em Janeiro de 2025, foi sancionada pela Presidência da República a Lei 15.100, que proíbe o uso de celulares nas escolas. A justificativa foi que tal proibição melhoraria a saúde mental, concentração e aprendizado dos alunos. Um pouco depois, em Setembro de 2025, foi sancionada pela mesma Presidência a Lei Felca, que proíbe o uso de redes sociais sem a supervisão dos pais para quem tem até 16 anos. A justificativa foi combater a exploração de jovens na internet.

Na semana passada, a FGV e a ESPM, instituições do ensino superior em São Paulo, anunciaram que vão “vetar” o uso de celulares em sala de aula. A justificativa: melhorar a concentração e o convívio social. Chegaram até mesmo a dizer que o melhor era voltar a fazer anotações apenas nos cadernos físicos, pois isso seria “importante para o cérebro” e auxiliaria na “fixação do aprendizado”. Por essa lógica, melhor mesmo seria voltar à época dos copistas medievais, onde os livros eram todos copiados manualmente.

Vamos ser claros: tudo isso é um estrume argumentativo. O fato de a proibição de celulares ser agora implementada na universidade mostra que a proibição nas escolas não tinha como objetivo prevenir pedofilia nem nada parecido. Afinal, na universidade não há crianças, e, portanto, não há possíveis vítimas de pedofilia. Por que adotar exatamente a mesma medida no ensino superior então? A resposta é simples: o objetivo não era nada relacionado a proteger jovens, mas sim a censurar uma parcela importante da população.

Algum censor mais inteligente poderia dizer que na verdade o objetivo é fazer com que o aluno preste mais atenção na aula e isso aumente o rendimento escolar dele, tanto no ensino superior quanto no fundamental e médio. Isso também é pura bobagem. Não é o celular que provoca o mau rendimento dos alunos. Por exemplo, já no ano 2000, quando não havia celulares disseminados entre os alunos no país, o Brasil obteve a pior nota do mundo na prova internacional do PISA. Em 2003, quando ainda não havia celulares disseminados na sala de aula, obtivemos novamente a pior nota do mundo no PISA. Mais recentemente, em 2022, não obtivemos a honrosa última posição, mas dentre 81 países, ficamos em 65º na prova de matemática, com apenas 16 países piores do que nós.

Sabe o que há em comum ao longo de todo esse tempo em que o Brasil teve um desempenho vergonhoso? Surpresa: não é o celular. São as péssimas condições de ensino. Em um cenário onde há quantidade insuficiente de professores, alunos que vão para aula porque não tem o que comer em casa, e escolas sem telhado que tem de ser interditadas quando chove, quem realmente poderia acreditar que o problema é o celular? Apenas algum alienado cujo cérebro já foi totalmente drenado por notícias da Folha de São Paulo ou da Rede Globo.

Quem apoiou essas medidas durante todo esse tempo achando que estava protegendo as crianças foi feito de otário, tendo apenas sido usado como massa de manobra para intensificar a censura na sociedade. Em contrapartida, quem fazia uma leitura correta do que estava ocorrendo, já compreendia desde o início que se tratava apenas de uma artimanha para censurar a juventude, algo que agora já não é mais passível de dúvida. Por isso, mais do que nunca é preciso dizer: devolvam os celulares dos alunos! Abaixo a censura!

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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