O artigo Epstein virou vítima (do lobby judaico), de Becky S. Korich, publicado na Folha de São Paulo nesta segunda-feia (16), tenta fazer o impossível, mostrar que o agente do Mossad, Jeffrey Epstein, não era agente do Mossad e que não fazia parte de determinado lobby.
A articulista se vale de um truque no título, utiliza o termo lobby judaico em vez de lobby sionista, ou como alguns preferem: lobby pró-Israel; isso é feito de propósito, pois judaísmo e sionismo são coisas distintas, e a confusão serve para que as pessoas não critiquem o sionismo com medo de serem acusadas de discriminação contra judeus. É isso que Korich faz por todo seu texto.
Resumidamente, Korich diz que Jeffrey Epstein foi sem dúvida um criminoso sexual, e que agiu com impunidade graças a dinheiro e conexões, mas que uma parte do debate público abandonou os fatos para abraçar uma “fantasia conspiratória” de natureza antissemita. Em suas palavras, diz que se “preferiu abandonar essa lógica [dos crimes] para deslizar a complexidade do caso para uma fantasia conspiratória na sua forma mais tosca e medieval: a mitologia antissemita”.
Teoria da conspiração
O outro truque da colunista é justamente falar em “fantasia conspiratória”. Essa definição ganhou força após o assassinato de John F. Kennedy (1963), quando cresceram críticas ao Relatório Warren, que concluia que Lee Harvey Oswald (o atirador) teria agido sozinho. Diante disso, em 1967, a CIA emitiu um memorando (Dispatch 1035-960), recomendando que os aliados na imprensa e no mundo acadêmico rebatizassem críticos do relatório como “teóricos da conspiração” (conspiracy theorists) e associassem essas críticas a motivações políticas, irracionalidade ou má-fé. Portanto, apesar de todas as evidências, ligar Epstein ao lobby sionista seria maluquice, e/ou racismo.
Segundo Korich, “o sociólogo Jessé Souza foi um deles. Em vez de aprofundar responsabilizações concretas, tratou o caso como ‘prova’ de uma suposta conspiração judaica global e atribuiu ao ‘lobby judaico’ as atrocidades cometidas por Epstein”.
Como escrevemos (leia na íntegra), Jessé Souza virou alvo de uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) após publicar um vídeo em que comentava o caso Jeffrey Epstein e fazia críticas ao lobby sionista. A representação foi apresentada por parlamentares e integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), que acusam o professor de “antissemitismo”.
Jessé Souza, posteriormente, afirmou que Epstein teria sido financiado por um “lobby judaico” e classificou o escândalo como expressão de uma estrutura internacional associada ao sionismo. Em determinado momento, declarou que Epstein seria “produto do sionismo” e mencionou o papel do Estado de “Israel” no cenário político mundial.
Korich se aproveita de um lapso, que o próprio professor tratou de corrigir, para dizer que “é o velho mecanismo com nome e história: o judeu como explicação para a degradação do mundo, como controlador do dinheiro, do poder, da mídia (se fosse controlada, será que estaríamos vivendo essa onda de antissemitismo moderno disfarçado de antissionismo –o ‘antissemitismo do bem’?). E, ainda, que “transformar os crimes de Epstein em um complô judaico não revela nada sobre Epstein, revela muito sobre quem faz isso”.
Como se vê, todo o esforço é classificar Jessé Souza como racista e teórico da conspiração. Afirma que o professor “se retratou. Mas não explicou. Trocar ‘judeu’ por ‘sionista’ não muda a lógica do argumento, apenas muda o rótulo. Quando se acusa Israel de ser engrenagem de uma conspiração judaica planetária, e o sionismo, um projeto de domínio judaico global, não estamos diante de antissionismo, mas do velho antissemitismo com uma nova roupagem”.
“Conspiração”
A choradeira de Korich tenta jogar uma cortina de fumaça sobre os fatos. No entanto, publicamos que memorando do FBI cita um informante confidencial afirmando que Epstein era um agente cooptado do Mossad. O informante mencionou conversas com o advogado Alan Dershowitz, que teria dito ao ex-procurador Alexander Acosta que Epstein trabalhava para inteligência americana e aliada, incluindo sessões de “debriefing” (interrogatório) com o Mossad.
Arquivos mostram uma longa e próxima relação com o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak, incluindo visitas frequentes, viagens no avião de Epstein e uma parceria empresarial na startup de tecnologia de vigilância Carbyne. Uma gravação de 2017 capturou os dois discutindo imigração para Israel e seus impactos no exército e na política interna.
Epstein agia com sua parceira, Ghislaine Maxwell, filha do magnata Robert Maxwell, que tinha laços estreitos com Israel e era suspeito de ser um ativo do Mossad, de quem Epstein teria herdado essas ligações.
Documentos revelam doações da fundação de Epstein para entidades ligadas ao Estado de “Israel”, como o Friends of the Israel Defense Forces (FIDF) e o Jewish National Fund (JNF). Em 2008, enquanto enfrentava acusações de tráfico sexual, Epstein visitou bases militares israelenses acompanhado de dirigentes do FIDF. Além de manter vínculos com figuras como Leon Black, Bill Gates, e a empresa de tecnologia Palantir, usada por “Israel” em operações de vigilância.
Becky S. Korich, tenta confundir o leitor, escreve que “Epstein não foi movido por sionismo. Foi movido por acesso, influência e depravação moral. Não viveu nem se comportou como alguém comprometido com o Estado judeu, seus rastros apontam para outros lugares”. E então cita que “foi próximo de círculos sauditas ligados a Mohammed bin Salman, circulou entre figuras do Golfo, de Wall Street, do Vale do Silício, da realeza europeia”, o problema é que essa gente toda apoia, financia, ou está de alguma maneira ligada ao sionismo.
Finalizando, a colunista escreve que “crimes sexuais não dependem apenas de predadores, dependem de ambientes que os tornam possíveis. Enquanto se caçam culpados externos, as engrenagens reais seguem girando, abrindo alas para novos Epsteins”. Ora, os sionistas assassinam mulheres, crianças, idosos. Há vídeo de soldados violentando um prisioneiro palestino e o assassinando com o cano de um fuzil que perfurou seu intestino. Se a questão é “depender de ambiente”, só se pode concluir que o criminoso Epstein estava em um ambiente perfeito.





