O porta-voz do UNICEF, James Elder, afirmou na terça-feira (13), em Genebra, que mais de 100 crianças palestinas foram assassinadas na Faixa de Gaza desde que entrou em vigor um cessar-fogo, em outubro do ano passado. Falando a jornalistas por videoconferência a partir de Gaza, Elder também declarou que seis crianças morreram de hipotermia neste inverno, em meio ao agravamento das condições humanitárias.
“Temos crianças que morreram de hipotermia novamente nos últimos dias. Então, agora chegamos a seis crianças que morreram de hipotermia apenas neste inverno”, disse Elder. Segundo o porta-voz, a marca de mais de 100 crianças mortas desde o cessar-fogo equivale a “uma menina ou um menino morto aqui todos os dias durante um cessar-fogo”.
Dados do UNICEF citados por Elder indicam que os números confirmados apontam “60 meninos e 40 meninas mortos na Faixa de Gaza”. Ele ressaltou, porém, que “o número real de crianças palestinas mortas deve ser maior”, pois as estatísticas consideram apenas casos em que houve informação suficiente para confirmação.
De acordo com Elder, a maior parte das mortes registradas desde o início do cessar-fogo ocorreu em consequência de ações militares israelenses. “Essas crianças são mortas por ataques aéreos, ataques de drones, incluindo drones suicidas. São mortas por disparos de tanques. São mortas por munição real”, declarou. Para o porta-voz, ainda que o cessar-fogo tenha permitido melhorias humanitárias limitadas, com ampliação de serviços de saúde, nutrição, água e saneamento, a situação das crianças permanece crítica. “Um cessar-fogo que desacelera as bombas é progresso, mas um que ainda enterra crianças não é suficiente”, afirmou.
O representante do UNICEF disse que, mesmo com o retorno de algumas crianças a escolas improvisadas em tendas, seguem restrições que bloqueiam materiais básicos para educação e para a recuperação psicológica. “Os suprimentos escolares mais básicos seguem restritos. E estou falando de lápis, canetas e cadernos, e isso vale também para a recreação das crianças”, disse. Elder relatou que conselheiros que atendem crianças têm recorrido, em grande medida, a exercícios de respiração e desenho, mas até essas alternativas são limitadas pela escassez: segundo ele, crianças chegam a reutilizar repetidamente a mesma folha de papel por falta de papel, giz de cera e outros itens elementares. “Continuamos pressionando; as negativas continuam chegando”, afirmou.
Enquanto isso, equipes de defesa civil palestinas informaram que o inverno tem agravado a crise humanitária. Nos últimos dias, segundo essas equipes, sete pessoas morreram devido a desabamentos parciais de edifícios estruturalmente comprometidos, incluindo uma criança que morreu por frio extremo. Com isso, o total de mortos por tempestades e frio desde o início da temporada de inverno teria chegado a 31. Autoridades da defesa civil alertaram que construções danificadas por bombardeios já não oferecem abrigo adequado e que chuvas fortes, ventos intensos e a deterioração de abrigos temporários ampliaram os riscos, atribuindo à chamada “comunidade internacional” responsabilidade legal e humanitária e pedindo medidas imediatas para proteger civis e garantir abrigo e socorro.





