Guerra no Oriente Próximo

Depois de mísseis do Irã, imprensa fascista quer ‘negociação’

Estadão, jornal que disse que "Ninguém vai chorar pelo Irã", sofre choque de realidade

Khamenei, pai e filho

O Estadão, cujo histórico é o de apoiar o fascismo, golpes e ditaduras sangrentas, publicou um editorial no dia 28 de fevereiro honrando sua tradição. O título era Ninguém vai chorar pelo Irã. Um país que, há mais de duzentos anos, não ataca outro sem antes ter sido atacado. Mas que, mesmo assim, é tratado pelo fascista Estadão como Estado pária. Na verdade, ser atacado por esse jornal é quase um atestado de idoneidade.

Nesta terça-feira (10), o jornal burguês, quem diria, já assume um ar choroso, uma vez que as coisas não estão saindo conforme o desejado. Ao contrário da extrema arrogância e desprezo pela humanidade do título anterior, desta vez optaram por “A sucessão no Irã e os dilemas dos EUA”.

É claro que não espera nada de bom dessa gente, por isso iniciam dizendo que “à primeira vista, a eliminação do líder supremo Ali Khamenei, que durante mais de três décadas concentrou a autoridade religiosa e política da República Islâmica iraniana, poderia parecer capaz de desencadear uma crise sucessória, expor rivalidades internas e, no limite, precipitar o colapso do sistema.”. – grifo nosso.

“Eliminação”, eis o termo que escolheram, desumanizam um homem de 84 anos, doente, líder religioso, que não se escondeu das bombas e que foi covardemente assassinado com outros membros do governo e vários membros de sua família, incluindo sua neta, Zahra Mohammadi Golpayegani, de 14 meses.

Estadão
Capa do Estadão – 1935

Esse crime contra a humanidade, uma guerra de agressão, bombardeio de civis, é tratado pelo Estadão como “eliminação”. Em 17 de setembro de 1935, uma terça-feira, esse jornal estampou a seguinte manchete: Importante discurso do Sr. Hitler perante o “Reichtag”. O olho dizia Firmeza do Partido Nacional-Socialista – Os objetivos do exército alemão – O “Reich” alheio aos acontecimentos externos não lhe dizem respeito – A situação dos alemães residentes em Memel. Abaixo, em destaque, com todas as letras em caixa alta, o jornal escreve: MEDIDAS CONTRA O BOLCHEVISMO E OS JUDEUS. Fica, portanto, mantida a tradição do Estadão.

Tiro n’água

Quanto à mudança de regime, que os agressores utilizaram como desculpa para agredir o Irã, o Estadão lamenta, diz que “nada disso ocorreu. O regime produziu uma sucessão relativamente rápida e ordenada. A aclamação do filho do aiatolá, Mojtaba Khamenei, indica continuidade política e, possivelmente, transformação estrutural”. Como todo mal perdedor, o jornal evita dizer que o governo está mais forte do que nunca.

Incrédulo, o Estadão diz que “longe de sinalizar abertura ou liberalização, a escolha reforça a preponderância das facções linha-dura e preserva os fundamentos institucionais da República Islâmica. A cadeia de comando permaneceu funcional, os centros decisórios seguem operando e o regime demonstrou uma capacidade de adaptação que muitos julgavam improvável diante da intensidade da guerra”.

Procurando o lenço, o editor do jornal escreve que “a sucessão parece acelerar uma mudança silenciosa que já vinha se desenhando há anos: o deslocamento progressivo do centro de poder do clero para o aparato securitário”. Ou seja, guerra de agressão acelerou um processo que já ocorria dentro do Irã, que se viu obrigado a se militarizar para lutar contra as crescentes agressões de EUA e “Israel”, decisão que se mostrou completamente acertada, dado o grau inaudito de destruição que está infligindo a seus agressores, a despeito de serem muito poderosos.

Adiante, conclui o parágrafo dizendo que “Mojtaba construiu sua base política justamente nas redes de influência da Guarda Revolucionária Islâmica, e seu apoio dentro desse aparato foi decisivo para sua nomeação. O resultado pode ser uma modificação institucional significativa: de uma teocracia clerical para um sistema cada vez mais dominado por estruturas militares”. Apenas que o Estadão não tira as consequências do que isso significa.

Essa “teocracia clerical” era contra a construção de armas nucleares; as “estruturas militares” são a favor. Os sábios “democratas” assassinaram exatamente quem se opunha à bomba. Parabéns.

Tentando manter a pose

O Estadão após dizer o que disse, tenta enganar a si afirmando que “essa modificação não elimina, contudo, as vulnerabilidades do regime”. É incrível, parece que esse jornal não acompanha a imprensa internacional e não viu, por exemplo, o The New York Times mostrando uma massa compacta de iranianos tomando as ruas em apoio ao novo líder da Revolução.

Para o jornal, que torce contra, “o novo líder tampouco possui o prestígio clerical de seus predecessores, e sua trajetória política se construiu sobretudo nos bastidores do poder. Sua autoridade dependerá menos da legitimidade religiosa tradicional e mais do apoio das redes militares e da narrativa ideológica do regime”. No entanto, logo cai na real e conclui que “o paradoxo é que a própria guerra pode contribuir para cimentar esse arranjo”.

Demonstrando que não entende nada do povo iraniano, o Estadão diz que “a liderança iraniana já explora a narrativa de resistência nacional e de martírio enraizada no ideário xiita para apresentar o conflito como prova de uma conspiração contra o país e a revolução”. – grifo nosso.

Não se trata de “narrativa”, a morte de civis, de Khamenei e seus familiares é martírio de fato. O Irã foi atacado, novamente, durante uma negociação, desta vez com EUA e “Israel” mancomunados, mas, claro, não há conspiração, não passa de “narrativa”.

Choque de realidade

Enquanto é obrigado a aceitar que “o regime demonstra resiliência e capacidade de adaptação”, o jornal lamenta que “os objetivos políticos da guerra permanecem confusos do lado ocidental”. Enquanto os sionistas se ocupam com o Hesbolá; os EUA “parecem oscilar entre metas distintas: mudança de regime, renegociação nuclear ou simples redução da ameaça militar iraniana”.

Há esse trecho muito interessante que diz que “paradoxalmente, um líder considerado duro poderia até dispor de maior margem para negociar um novo acordo nuclear, por exemplo, sem ser acusado de fraqueza interna”. Esse é o modo disfarçado que o jornal usa para pedir um cessar-fogo. Quem está chorando?

O Estadão diz que “vitórias militares não se traduzem automaticamente em resultados políticos”, é verdade, mas uma derrota do imperialismo vai ser um terremoto político. Dificilmente “Israel” sobreviverá, e muito menos as monarquias petroleiras.

Reconhecendo o fracasso, o editorial pergunta: “se a República Islâmica está mudando de forma, qual será exatamente a estratégia para lidar com esse novo Irã?”. A resposta é simples, mas esses fascistas não entendem nada de respeito.

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