O veto do presidente Lula à lei da “dosimetria” é um jogo de cena ensaiado. Existe um acordo selado entre o governo federal, o bolsonarismo, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional. A própria imprensa capitalista reconhece a existência de tal acordo. O gesto do presidente cumpre apenas um objetivo de propaganda, de se mostrar como “defensor da democracia”. Lula sabe que o veto vai ser derrubado e que toda a bravata sobre combater o “golpismo” irá terminar em uma enorme pizza.
O acordo mostra claramente que a tese do “golpe de Estado” é uma fraude. Se realmente tivesse havido um golpe de Estado, não teria como haver um acordo, seria impossível. O acordo foi feito com o presidente norte-americano, Donald Trump. A suspensão da Lei Magnitsky em relação a Alexandre de Moraes é parte desse acordo.
As informações disponíveis no momento indicam que o acordo manterá o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível. No entanto, haverá uma redução de sua pena. As medidas recentemente tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, indicam também que o combate ao bolsonarismo se tornou jogo de cena. O ministro tem se ocupado em questões como negar atendimento médico ao líder da extrema direita, o que cumpre apenas a função de pressionar Bolsonaro para manter a situação sob controle.
O fato de que o vice-presidente, o golpista Geraldo Alckmin, tenha sido um dos grandes destaques da cerimônia realizada pelo governo para celebrar o que teria sido a vitória da “democracia” contra a “tentativa de golpe” confirma que não há um movimento real contra o bolsonarismo. A tal “tentativa de golpe” teria sido derrotada não pelo povo, que sequer foi convidado para celebrar a tal “vitória”, mas por vigaristas profissionais.
Ainda que a caça aos “golpistas” caminha para se tornar uma grande pizza, a política do governo brasileiro de apoiar medidas extraordinárias do STF — em especial, de Alexandre de Moraes — causou um estrago imenso. Sob o pretexto do combate ao bolsonarismo — combate este que agora se torna uma farsa —, o maior partido de esquerda do Brasil contribuiu para o estabelecimento de uma ditadura do Judiciário no Brasil.





