O vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de Divinópolis-MG, Vítor Costa, defendeu abertamente a censura ao criticar uma influenciadora digital que expôs uma moradora de rua. A defesa critica a manifestação infeliz da influenciadora, mas, concretamente, não aponta nada além de censura.
A declaração da influenciadora deu-se em vídeos onde afirmava “não ter dó” dos moradores de rua. Ela ainda atesta que “trabalha 24 horas por dia”, num raso apelo emocional para fortalecer o discurso meritocrático. E, seguida, argumenta ter uma experiência como lastro de sua posição, relatando que, ao tentar ajudar outros, por desventura, “tomou naquele lugar”.
Esta é a parte menos relevante, mas que desnuda a desorientação política da crítica. A influenciadora em tela tem aproximadamente 162 mil seguidores nas redes sociais. Ela é dona de uma loja na região conhecida como “Savassinha”, no centro da cidade, local onde a mulher em situação de rua exposta costuma vagar.
Limitada politicamente pela falta de consciência dos interesses, é uma figura comum na fauna política nacional. Esses setores manifestam o atraso econômico e político do País e deveriam ter suas posições combatidas por campanhas políticas, não por censura.
A fala mais concisa de Costa é a seguinte:
“Quando alguém com tamanha visibilidade usa suas redes para humilhar uma pessoa em extrema vulnerabilidade, não está apenas opinando. Está reforçando preconceitos, legitimando a exclusão social e estimulando a violência.”
O ponto de inflexão da crítica tecida por Costa encontra-se no termo “tamanha visibilidade”, o que se traduz em: você tem liberdade de expressão desde que não consiga influenciar politicamente. Para Costa, você pode falar, desde que não discorde de sua política ou não tenha meios para ser ouvido.
Essa é a prática da burguesia com seus opositores, que passam de ignorados a perseguidos conforme sua eficiência na mobilização. Uma censura que é o oposto do livre debate.
Costa coloca como similar a situação atual com a manifestação do pastor Wilson Botelho, líder de uma comunidade terapêutica. Ele foi filmado durante uma reunião na Câmara de Vereadores de Divinópolis ameaçando moradores de rua que se recusassem a sair da cidade: “dou uma ligada e você toma dois tiros na cabeça”.
Esse caso repercutiu negativamente no final de 2025, havendo denúncias de intimidação. Botelho alegava agir onde a polícia não podia, tendo apoio de um coronel da Polícia Militar e de homens organizados para essas ações.
“Naquele momento, denunciamos esse discurso absurdo, violento e criminoso. O que vemos agora é a repetição da mesma lógica de desumanização, que é transformar pessoas em situação de rua em inimigos, como se a violência fosse uma solução aceitável”, frisou Costa.
Em seu programa, Costa afirma que o poder público deve fortalecer a assistência social, garantir acesso à moradia digna, atendimento em saúde mental, políticas de cuidado para dependência química e programas de reinserção social.
Entretanto, é transparente, ao se observar os fatos, que, embora tenham orientações políticas similares, os casos são manifestações distintas, sem comparação. Assim como em ambos os casos, não há nada além de demagogia e defesa da censura — uma ausência total de qualquer combate ideológico à direita.
Segundo Costa, sua legislatura seria um púlpito para aqueles cerceados de voz na sociedade, onde os marginalizados teriam defesa e guarida:
“Meu mandato existe para defender quem não tem voz. A Maria não é um problema. O verdadeiro problema é a desigualdade social e a naturalização do ódio contra quem já vive à margem. Ninguém é descartável”, concluiu Costa.
Todavia, dar mais poderes repressivos ao Estado não expressa nenhum interesse dos setores marginalizados. Pelo contrário, fortalece a máquina de lacerar a classe trabalhadora.





