Europa

Defensor da OTAN: quem é o novo presidente ‘socialista’ de Portugal

Imperialismo comemora vitória de António José Seguro, do Partido Socialista (PS), contra André Ventura

António José Seguro, do Partido Socialista (PS), venceu no domingo (8) o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal. Com 99,2% dos votos contabilizados, Seguro obteve 66,8% e derrotou André Ventura, do Chega, que ficou com 33,2%. O novo presidente tomará posse em 9 de março, sucedendo Marcelo Rebelo de Sousa, que está no cargo há 10 anos.

A eleição ocorreu em meio a forte polarização e avanço acelerado da extrema direita. Ventura, que no primeiro turno (18 de janeiro) havia recebido 23,5%, ampliou a votação para pouco mais de um terço do eleitorado na segunda volta, consolidando o Chega como principal força política do país se considerado que Seguro só venceu devido à frente ampla feita pelo PS. Após o resultado, Ventura declarou: “em breve, governaremos este país”.

Do lado do vencedor, Seguro se apresentou como candidato de “união” e “estabilidade institucional” e recebeu apoios que ultrapassaram o PS. Entre as declarações registradas no próprio domingo, disse: “os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”, acrescentando que pretende ser “o presidente de todos os portugueses”. No plano internacional, houve saudação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que tratou a vitória como confirmação dos “valores europeus compartilhados”.

Embora a Presidência em Portugal tenha caráter majoritariamente cerimonial, o cargo tem peso em situações de crise: o chefe de Estado pode dissolver o Parlamento, convocar eleições e vetar leis.

Apesar de carregar “socialista” no nome, o PS é, hoje, o principal partido português na sustentação do regime imperialista no país, alinhado à União Europeia e aos interesses do imperialismo no continente. A trajetória de Seguro dentro desse aparelho é antiga: foi dirigente da Juventude Socialista, deputado, ocupou cargos de governo nos anos de António Guterres, passou pelo Parlamento Europeu e comandou o PS entre 2011 e 2014, período em que a política do país esteve submetida à austeridade imposta pela Troika (FMI, BCE e Comissão Europeia). Mesmo quando fazia críticas pontuais ao ritmo dos cortes, sua atuação se manteve dentro da garantia de “cumprimento” dos compromissos com o capital financeiro.

Demonstrando sua siubserviência ao imperialismo, o próprio Seguro afirmou, durante a campanha, defender a permanência de Portugal na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o principal bloco militar do imperialismo na Europa, e o vínculo com a União Europeia.

Em 22 de janeiro, o jornal português Diário de Notícias registrou que Seguro “reafirmou a manutenção de Portugal nas alianças quer da OTAN, quer da União Europeia”. Na mesma ocasião, defendeu “a presença de Portugal na OTAN” e declarou: “precisamos de parceiros para garantir a nossa defesa e a nossa segurança”.

Já em entrevista à RTP Notícias exibida em 7 de novembro de 2025, o agora eleito tratou de se definir ideologicamente como parte de uma “esquerda moderada e moderna”. Disse, textualmente: “pertenço àquela esquerda moderada, àquela esquerda moderna que se afirma com soluções concretas para os problemas das pessoas”. Na mesma entrevista, voltou ao tema militar e foi explícito sobre a OTAN: “eu considero que Portugal e os países europeus devem continuar a fazer parte da OTAN, isso para mim é claro”.

Ainda na RTP Notícias, ao abordar a escalada dos gastos militares exigidos pela OTAN e pelos EUA, Seguro procurou deslocar o debate para a integração entre indústria e armamentos, afirmando que o investimento em defesa não deveria ser visto como custo. Disse: “o dinheiro que vai para a defesa não pode ser visto como uma despesa”, e completou: “isto pode ser uma oportunidade para as nossas empresas”, citando produção com “aplicação militar” como “drones” e “sensores”.

As declarações ajudam a entender quem é o novo presidente que chega ao Palácio de Belém com o rótulo de “socialista”: um político do PS que defende, por palavras próprias, a OTAN e o bloco da União Europeia, e que se apresenta como representante de uma “esquerda moderada”, isto é, a “esquerda” que sustenta o regime imperialista europeu. Nesse sentido, chega ao poder um inimigo da Rússia e dos povos oprimidos que promete contribuir com o esforço europeu de jogar o mundo em uma Terceira Guerra Mundial.

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