Os Estados Unidos e seu cachorro de estimação, o Estado de “Israel”, iniciaram uma agressão militar contra o Irã sem provocação, feita de maneira traiçoeira no meio de negociações diplomáticas. Apesar da imprensa brasileira ocultar isso de maneira sistemática, o Irã não ameaçou ninguém, nem mesmo “Israel”. Sua postura diante do Estado sionista é defensiva.
O que o Irã fez, e que o imperialismo não perdoa, foi apoiar os palestinos que lutam contra o genocídio. Esse apoio é legítimo. E é exatamente por isso que o Irã se tornou alvo.
O pretexto da bomba atômica não engana ninguém. O próprio Líder da Revolução Islâmica, Ali Khamenei, assassinado covardemente num bombardeio à sua residência, havia vetado qualquer programa nuclear armado. Além disso, nenhum país do mundo tem o direito de ditar quais países podem ou não ter a bomba. Muito menos os países que já a possuem e a usaram, como é o caso dos Estados Unidos.
O assassinato de Khamenei é um dos crimes mais aberrantes que o imperialismo já cometeu. Khamenei não era um chefe de governo, era um líder religioso, o maior expoente da religião xiita no mundo. A imprensa nacional e estrangeira insiste em apresentá-lo como figura política para justificar o crime. E chegou ao ponto em que parcelas da chamada “opinião pública” elogiam o assassinato de sua mulher, seus filhos e seus netos.
Diante de tudo isso, o que faz a esquerda brasileira? Capitula.
A posição de setores expressivos da esquerda, incluindo parlamentares do PSOL, como Erika Hilton, é repetir as acusações de “regime brutal” e “bárbaro” contra o Irã, com fontes tiradas de ONGs ligadas a George Soros e da imprensa internacional do imperialismo. Ou seja: para saber o que está acontecendo no Irã, perguntam aos inimigos do Irã.
Essa é a política de quem coloca a democracia burguesa acima da luta dos povos contra o imperialismo. Os Estados Unidos, que não são taxados de “ditadura teocrática” por esses setores da esquerda, são um regime bipartidário, praticamente de partido único, que reprime violentamente sua população pobre e caça sistematicamente os direitos das maiorias.
Os revolucionários não defendem a democracia em abstrato. Defendem os direitos democráticos das massas exploradas. Defender a democracia em abstrato é defender uma aparência, um regime de fachada. E colocar essa aparência acima da luta dos povos para se libertar da ditadura imperialista, essa sim uma ditadura muito real, é uma capitulação diante de um nada.
A posição correta é simples: quando alguém está lutando contra o imperialismo, é preciso apoiar essa luta, independentemente de quem seja e de quais sejam as divergências políticas com esse alguém. Essas divergências são sempre secundárias em relação à luta principal. O Irã foi o único grande país que tomou medidas concretas para defender o povo palestino. Um país com esse tipo de ação revolucionária seria, inevitavelmente, alvo privilegiado do imperialismo. Que a esquerda brasileira não tenha parado para pensar nisso revela não um erro de avaliação, mas uma falência política completa.
A defesa platônica — “apoio o povo iraniano, mas não o regime que está lutando contra o imperialismo” — não é uma posição de esquerda. É uma forma sofisticada de ficar do lado do imperialismo sem admitir isso.





