Polêmica

Defender a ‘democracia’ é defender o sequestro de Maduro

A “ameaça fascista” serve de espantalho para justificar medidas autoritárias do próprio regime burguês

O artigo A democracia é o inferno dos fascistas, publicado no Brasil 247 por Jorge Folena, parte de uma constatação aparentemente progressista — a de que os setores fascistas da sociedade brasileira se oporiam à “democracia” — mas cai em um erro primário: a ideia de que a democracia burguesa, em si, seria um valor universal a ser defendido. O texto repete a concepção liberal de “democracia” como um em qualquer análise de classe. É justamente esse o erro que transforma a palavra em um fetiche, uma abstração sem conteúdo social: uma defesa moral da “democracia” que acaba servindo aos próprios interesses do imperialismo.

Quando Folena celebra o veto de Lula ao projeto da “dosimetria” e defende a punição dos “golpistas” de 8 de janeiro como uma vitória da democracia, ele ignora que o regime dito “democrático” no Brasil é, na verdade, uma ditadura da burguesia. O aparato repressivo, o Judiciário, a imprensa e o Congresso que agora perseguem bolsonaristas são os mesmos que sempre atuaram contra os trabalhadores. A chamada “defesa da democracia” tem servido como instrumento para fortalecer o controle político do imperialismo norte-americano sobre os regimes da América Latina, inclusive o brasileiro.

A “ameaça fascista” serve de espantalho para justificar medidas autoritárias do próprio regime burguês. O fascismo, que é um produto da crise capitalista, não se combate fortalecendo o Estado burguês — e sim organizando a classe operária para destruir esse Estado.

Quando os Estados Unidos falam em “defender a democracia”, o que defendem é o “direito” de intervir em qualquer país que tente romper com sua dominação. O golpe de 2016 no Brasil, a perseguição a líderes de esquerda, o bloqueio contra a Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro são todos executados em nome dessa mesma “democracia”. É o mesmo pretexto usado para destruir o Iraque, bombardear a Líbia, estrangular Cuba e invadir o Panamá.

Não há “democracia” possível sem uma análise de classe. A verdadeira democracia é a ditadura da maioria — isto é, do proletariado sobre a minoria exploradora. Enquanto o poder político estiver nas mãos dos capitalistas, o regime será “democrático” apenas no nome.

A esquerda pequeno-burguesa que se limita a “defender a democracia” sem questionar o caráter de classe do Estado, na prática, colabora com o regime de opressão imperialista.

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