Neste sábado (7), o governo cubano anunciou um pacote de ações imediatas para enfrentar a crise energética agravada pelas medidas coercitivas criminosas impostas pelos Estados Unidos, que vêm bloqueando a compra de combustíveis pelas vias tradicionais e impactando diretamente a geração de eletricidade no país.
Em pronunciamento ao lado de ministros de várias áreas, o vice-primeiro-ministro Óscar Pérez-Oliva Fraga afirmou que a direção do governo não buscava “dar justificativas”, mas “explicar como enfrentar esta situação com ações concretas e com o esforço de todos”. As medidas, disse ele, têm como objetivo preservar a estabilidade dos serviços básicos e proteger a população.
Entre as primeiras decisões anunciadas está a destinação do combustível disponível para serviços essenciais e atividades econômicas consideradas imprescindíveis. A manutenção da geração elétrica será feita com uso de petróleo nacional, gás associado e fontes renováveis, e o governo incluiu como prioridade assegurar o abastecimento de água.
A área da saúde foi colocada no topo da lista de prioridades, com foco em urgências médicas, atenção materno-infantil e no Programa Nacional de Câncer. No plano territorial, foi orientado que cada região recorra mais aos próprios recursos para ampliar a produção de alimentos e adotar alternativas baseadas em energia renovável.
Como medida de economia, o governo decidiu concentrar atividades administrativas de segunda a quinta-feira, buscando reduzir impactos aos fins de semana. Ao mesmo tempo, Pérez-Oliva destacou que o país manterá esforços para sustentar setores que geram receitas em divisas, apontados como fundamentais para atravessar o período de escassez.
Na área cultural e esportiva, foi anunciada uma readequação da programação, com estímulo a atividades comunitárias e ao movimento de artistas amadores, ajustados às limitações impostas pela falta de energia e combustível.
O ministro do Trabalho e Seguridade Social, Jesús Otamendiz Campos, explicou que haverá ajustes trabalhistas e salariais para permitir a realocação de trabalhadores, de modo que sigam contribuindo para atividades econômicas e de interesse social. Já o ministro do Transporte, Eduardo Rodríguez Dávila, informou que as transportações serão reorganizadas, com prioridade para deslocamentos ligados a importações e exportações. Na educação, a ministra Naima Trujillo Barreto detalhou mudanças por nível de ensino para manter a continuidade do processo de ensino em meio às restrições.
As medidas foram reforçadas pelo presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez, que afirmou, em reunião extraordinária do Comitê Central do Partido, que “sempre haverá soluções aos problemas por muito difícil que seja a situação”.
Na quinta-feira (5), Díaz-Canel, em entrevista coletiva no Palácio da Revolução, diante de veículos nacionais e estrangeiros, resumiu a gravidade do momento ao dizer: “já passamos por momentos difíceis, estes em particular são muito difíceis, mas vamos superá-los juntos”.
Na entrevista, o presidente cubano vinculou as restrições energéticas ao bloqueio imposto pelos EUA e às pressões que também atingem países aliados, como a Venezuela, o que afeta o fornecimento e as rotas de abastecimento de combustível. Díaz-Canel sustentou que Cuba não abrirá mão do direito de receber combustível e que as medidas anunciadas buscam reduzir os impactos sobre a população e sobre serviços essenciais.
O presidente mencionou ainda manifestações de solidariedade e contatos com líderes internacionais, afirmando que o país “não está sozinho”, embora tenha dito que certas tratativas não seriam expostas publicamente por avaliar que o adversário acompanha e tenta impedir alternativas abertas.
No plano diplomático, Díaz-Canel afirmou que Cuba estaria disposta a dialogar com os Estados Unidos, desde que em condições de respeito à soberania, sem pressão e em pé de igualdade, indicando pontos que poderiam compor uma lista de temas, como imigração, segurança, meio ambiente e intercâmbios acadêmicos.
Ao abordar a transição energética, o presidente descreveu iniciativas em curso, como parques fotovoltaicos e a recuperação de capacidade de geração. Ele apontou que a produção solar tem ajudado a sustentar o sistema elétrico durante o dia, mas ressaltou que a falta de combustível impede o uso pleno da capacidade instalada de geração distribuída, agravando déficits em horários de pico. Ao final, Díaz-Canel enfatizou a necessidade de unidade nacional e mobilização, destacando a participação dos jovens e a ideia de “resistência criativa” para enfrentar a crise.



