O governo Lula anunciou nesta segunda-feira (13) a saída de Gilberto Waller da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A exoneração já havia sido publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (8), mas a troca no comando do órgão foi efetivada e divulgada nesta segunda. Para o lugar de Waller, foi nomeada Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do instituto.
Waller havia assumido a presidência do INSS em 30 de abril de 2025, no início das investigações sobre supostas fraudes no órgão, e permaneceu 11 meses no cargo. Segundo relatos divulgados nesta segunda, ele foi informado da demissão por volta das 10h30, quando estava de férias, sem explicação formal sobre a decisão. Também não houve conversa direta com o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz. A comunicação foi feita pelo secretário-executivo da pasta, que informou que a exoneração já estava definida.
A saída ocorreu após um período de divergências entre Waller e Wolney Queiroz. Os desentendimentos entre os dois vinham sendo apontados publicamente e já provocavam incômodo no governo. Em novembro de 2025, por exemplo, o Ministério da Previdência realizou um evento para servidores com a presença do ministro, mas Waller não foi convidado. Na ocasião, o INSS foi representado pela vice-presidenta Lea Bressy.
Durante as férias de Waller, o ministério também promoveu mudanças na estrutura do instituto. Entre elas, a nomeação de Yveline Barretto Leitão para a diretoria de Gestão de Pessoas. Ela é irmã do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão.
Outro fator que teria pesado contra Waller foi a falta de resultado no enfrentamento da fila do INSS. Em março deste ano, o número de pessoas à espera de aposentadoria ou outros benefícios chegou a 2,6 milhões. No governo, a avaliação era de que o estoque de requerimentos pendentes, que já havia superado três milhões, se transformou em um dos principais pontos de desgaste político e de ataque da oposição para 2026.
A demissão também ocorreu em meio à Operação Sem Desconto, que apura supostas fraudes em descontos associativos aplicados sobre benefícios pagos pelo instituto. A investigação apontou um volume de até R$6,3 bilhões em descontos irregulares sobre aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024. Waller havia substituído Alessandro Stefanutto, que deixou a presidência do INSS em meio ao escândalo dos descontos indevidos.
A troca no comando do órgão ocorreu duas semanas depois do encerramento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes no INSS. A comissão terminou sem aprovação de relatório final. O parecer do relator, Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), foi rejeitado por 19 votos a 12.
Em 2026, o tema INSS já havia gerado 130 proposições em tramitação na Câmara dos Deputados, incluindo pelo menos 16 requerimentos de informação dirigidos ao Ministério da Previdência desde janeiro.
Com a mudança, a presidência do INSS passa a ser ocupada por Ana Cristina Viana Silveira. Formada em Direito, ela é servidora de carreira do instituto desde 2003, no cargo de analista do seguro social. Entre 2020 e 2024, atuou como professora de Direito Previdenciário. De abril de 2023 a fevereiro de 2026, presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), período em que houve ampliação da capacidade de análise de recursos.
Antes de assumir a presidência do INSS, Ana Cristina ocupava a função de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Segundo o ministério, a nova presidenta chega ao cargo com a tarefa de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos.
O caso já está sendo utilizado pela imprensa burguesa para destacar a crise pela qual passa o governo Lula. Josias de Souza, comentarista do UOL News, por exemplo, afirmou que a demissão do presidente do INSS virou “veneno contra o discurso de eficiência do próprio governo”.
A troca de um presidente que nem sequer completou um ano em um dos órgãos mais importantes do País meses antes do fim do mandato de Lula é, de fato, sinal de grande crise. Acima disso, é mais uma demonstração do erro que o PT cometeu ao entregar um ministério tão importante aos trabalhadores, como é a Previdência, para a direita.





