Pedro Sánchez convocou eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro depois de sofrer uma derrota no Parlamento em torno de medidas relacionadas à habitação.
A votação antecipada ocorre sob forte pressão provocada pela alta dos aluguéis, dos preços dos imóveis e pelos despejos. Organizações de inquilinos realizam manifestações desde 23 de setembro.
A crise chegou também ao movimento sindical. UGT e CCOO, as duas principais centrais da Espanha, convocaram uma greve geral de 24 horas para 11 de novembro. Será a primeira convocação conjunta de uma greve geral pelas duas organizações desde 2012.
A paralisação atende a um chamado da Confederação de Sindicatos de Inquilinas. O secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez, resumiu uma das reivindicações como “salários dignos para uma moradia digna”.
O empresariado atacou imediatamente a greve. Antonio Garamendi, presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, acusou a mobilização de possuir objetivos “políticos e eleitorais”. Partido Popular e Vox adotaram discurso semelhante.
A dimensão do movimento mostra que a questão da moradia deixou de ser um problema restrito ao chamado mercado imobiliário. Quando uma parcela crescente do salário é consumida pelo aluguel, a habitação passa diretamente para o terreno da luta entre trabalhadores, proprietários e grandes grupos que controlam imóveis e crédito.


