A República Popular Democrática da Coreia realizou no dia 14 de março um exercício de ataque com poder de fogo de uma subunidade de artilharia de longo alcance do Exército Popular da Coreia, em meio ao agravamento da tensão militar na península coreana. A operação mobilizou 12 lançadores múltiplos de foguetes superprecisos de 600 milímetros e duas companhias de artilharia, sob observação direta de Kim Jong Un.
Segundo a agência estatal KCNA, o exercício foi conduzido por uma subunidade posicionada na zona oeste do país e teve como alvo uma ilha situada no Mar da Coreia Oriental, a cerca de 364,4 quilômetros de distância. Os foguetes atingiram o alvo com “100% de precisão”, de acordo com a nota oficial, que apresentou a ação como nova demonstração da capacidade destrutiva do sistema e de seu valor militar.
Kim Jong Un, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia e presidente dos Assuntos de Estado da RPDC, acompanhou pessoalmente a atividade. De acordo com a KCNA, ele afirmou que o exercício teve como finalidade fazer com que o Exército cumprisse aquilo que lhe cabe. Também declarou que a manobra serviria para impor inquietação “às forças hostis” e aos inimigos situados dentro do raio de 420 quilômetros de alcance, além de fazê-los compreender “o poder destrutivo da arma nuclear tática”.
Kim afirmou que o exercício faz parte de uma verificação regular da postura defensiva da RPDC e de sua capacidade de dissuasão. Ele acrescentou que esse tipo de treinamento será realizado com frequência no futuro.
A ordem de abertura de fogo foi dada pelo general Jang Chang Ha, diretor-geral da Administração de Mísseis, autorizado por Kim Jong Un a comandar a operação. A KCNA informou que as companhias abriram fogo em ondas e que os projéteis atingiram com precisão total o objetivo designado no mar.
Após acompanhar o exercício, Kim elogiou os soldados da unidade de artilharia pela capacidade de operar o moderno sistema de lançadores múltiplos. Em seguida, voltou a exaltar o armamento utilizado. “É de fato uma arma muito mortal e atraente”, declarou. Na mesma fala, acrescentou: “em todo o mundo, não existe arma tática que supere o desempenho desse sistema de armas”.
Kim também afirmou que o país não permanecerá estagnado, mesmo considerando o alto desempenho do sistema atual. “Eu sempre respeito nossos cientistas da defesa e os aprecio por desenvolverem tal sistema de armas”, disse.
Ao tratar da função política e militar desse armamento, o dirigente norte-coreano afirmou que a capacidade ofensiva da RPDC tem como objetivo a defesa do país. “Como já declarei, nossa poderosa capacidade de ataque é, na prática, para nos defendermos. Isso porque a mais poderosa capacidade de ataque significa precisamente uma capacidade de defesa confiável”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “é, no verdadeiro sentido da palavra, um meio de deter a guerra”.
Na mesma declaração, Kim advertiu que, caso esses meios defensivos não sejam suficientes para impedir uma provocação armada estrangeira ou uma invasão contra o país, eles passarão imediatamente a cumprir “sua segunda missão”, isto é, servir de “meio para um ataque maciço e destrutivo”. Segundo ele, se essa arma for empregada, a infraestrutura militar do adversário dentro de seu alcance “jamais poderá sobreviver”.
A declaração também vinculou a manutenção da paz ao fortalecimento militar da RPDC. “Nosso Partido e o governo da República manterão uma paz duradoura por meio de poderosas capacidades militares”, disse Kim. “A paz é algo que deve ser defendido, e não desejado”.
No encerramento, Kim Jong Un ressaltou a necessidade de que todas as unidades do Exército, em todos os níveis, organizem manobras práticas intensivas em condições simuladas de guerra real. Segundo a KCNA, a orientação do dirigente foi manter plena prontidão de resposta para frustrar completamente, com força avassaladora, qualquer provocação inimiga.




