Entre 5 e 7 de fevereiro, o Partido dos Trabalhadores (PT) realizou, em Salvador (BA), atividades comemorativas pelos 46 anos de sua fundação. Participaram dirigentes do PT e de outros partidos, artistas e convidados, além de autoridades como ministros de Estado, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora o lançamento da pré-candidatura de Lula à reeleição tenha sido adiado, o evento foi marcado por discussões sobre a disputa eleitoral deste ano. Lula buscou reanimar a militância e afirmou que as eleições serão uma “guerra”, dizendo que o “Lulinha paz e amor” ficou no passado. Também cobrou que os petistas deixem a passividade nas redes sociais e atuem para “desmontar mentiras”.
O tom de enfrentamento, no entanto, contrasta com a política efetiva do governo. Na prática, o governo petista se apoia numa frente de conciliação com setores da direita e com figuras do que há de mais reacionário no regime político, o que limita qualquer medida minimamente favorável aos trabalhadores. Ao mesmo tempo em que convoca “luta”, Lula reconhece que o PT “não está com essa bola toda”, sinalizando a dependência cada vez maior em acordos para sustentar os objetivos eleitorais do partido.
A declaração mais grotesca partiu de Edinho Silva, presidente nacional da legenda, ao afirmar que “Lula é o governo do antissistema”. A tentativa de vender esse rótulo é incompatível com a realidade. O PT não é força “de fora”: tornou-se o fiador à esquerda da política do regime.
Desde o processo de adaptação ao regime até a chegada ao Planalto, em 2003, o PT desenvolveu sua política de conciliação. No atual mandato, isso aparece de forma ainda mais aberta. Internamente, o governo sustenta o ajuste fiscal, mantém intocado o pagamento de juros da dívida em patamares elevados e avança com “concessões” que, na prática, são privatizações. Também se soma às iniciativas de endurecimento do aparato repressivo, em nome de “segurança”, sempre contra a população pobre.
No que diz respeito à política internacional, a orientação política segue marcada pelo alinhamento aos interesses do imperialismo norte-americano: o governo se recusa a romper com “Israel” em meio ao massacre do povo palestino e mantém uma política de pressão e isolamento contra países como a Venezuela.
Não há “antissistema” em quem defende a ditadura do Judiciário e a manutenção da política econômica neoliberal. Finalmente, o PT não combate o sistema, ele o administra





