Oriente Próximo

Conselho de Liderança Temporária do Irã se reúne pela 2ª vez

Órgão de transição, previsto no Artigo 111 da Constituição iraniana, declara continuidade do Estado após o martírio de Saied Ali Khamenei em agressão dos EUA e de “Israel”

O Conselho de Liderança Temporária do Irã realizou neste domingo (1º) sua segunda reunião desde que teve a formação anunciada pelo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani. O órgão assume, de forma provisória, as atribuições do líder da Revolução Islâmica até a escolha de um sucessor.

O conselho é composto pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e pelo xeique Alireza Arafi. A criação do colegiado segue o Artigo 111 da Constituição do Irã, que determina que, em caso de morte, renúncia ou destituição do líder, a Assembleia de Peritos adote as medidas necessárias “o mais rapidamente possível” para nomear o substituto.

Durante a reunião, Ejei afirmou que o conselho cumpre integralmente suas responsabilidades no período de transição. Ele também declarou que novos comandantes assumem imediatamente as funções deixadas pelos dirigentes martirizados e disse que o “inimigo enganoso e traiçoeiro” se depara com a disposição do povo iraniano de não se render a medidas terroristas e de guerra psicológica.

Conselho é formado após o martírio de Khamenei

A formação do Conselho de Liderança Temporária ocorre após o martírio de Saied Ali Khamenei, líder da República Islâmica e da Revolução Islâmica, durante os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de “Israel” na madrugada de sábado (28). A televisão estatal iraniana informou que Khamenei foi martirizado em seu local de trabalho, enquanto exercia suas funções em seu escritório, após a agressão.

Ainda segundo a emissora estatal iraniana, o fato de o líder estar em seu posto de trabalho contradiz versões divulgadas por veículos ligados ao regime sionista, que afirmavam que ele se encontrava em local seguro e não revelado, e mostra que permaneceu no centro das responsabilidades junto ao povo.

Arafi integra o colegiado como jurista

A nomeação do xeique Alireza Arafi como terceiro membro do conselho foi divulgada pela agência iraniana Tasnim neste domingo (1º). De acordo com a Tasnim, a escolha busca garantir a continuidade do funcionamento do Estado até a eleição do novo líder da Revolução Islâmica.

Mohsen Dehnavi, porta-voz do Conselho de Discernimento, escreveu na rede X que, conforme o Artigo 111, até a definição do novo líder forma-se um conselho temporário com o presidente, o chefe do Judiciário e um jurista do Conselho dos Guardiões.

Arafi, de 67 anos, é natural de Maybod. Desde 2019, atua como membro do Conselho dos Guardiões, colegiado de 12 integrantes que revisa a legislação aprovada pelo Parlamento para verificar sua compatibilidade constitucional. Ele também chefia os seminários religiosos do país desde 2016 e exerce, desde 2015, a função de imã da oração de sexta-feira em Qom.

Larijani e a resposta iraniana

Após os assassinatos, Ali Larijani passou a desempenhar papel de destaque na condução da resposta iraniana à agressão. Em publicação na rede X, no domingo, Larijani escreveu: “ontem, mísseis iranianos foram disparados contra os Estados Unidos e ‘Israel’, e foi doloroso. Hoje, eles serão disparados de forma ainda mais dolorosa”.

No sábado, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou a Operação Promessa Cumprida 4. Segundo o CGRI, a ofensiva atingiu alvos em “Israel” e bases dos Estados Unidos na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Cuaite e Barém. O CGRI também informou que os ataques continuam no domingo, com alvo no porto de Duqm, em Omã.

Em nota, o CGRI afirmou que atingiu 27 pontos ligados a bases norte-americanas, além do quartel-general do comando militar de “Israel” em HaKirya, da base aérea de Tel Nof e de um grande complexo industrial de defesa em Telavive. O comunicado acrescentou que as Forças Armadas iranianas “não permitirão que o som das sirenes cesse nos territórios ocupados e nas bases norte-americanas”.

Sucessão, luto e Assembleia de Peritos

O chanceler Abbas Araghchi disse, em entrevista à emissora catarense Al Jazeera, que o mecanismo constitucional de sucessão já está em andamento. “O conselho de transição está estabelecido”, declarou, descrevendo o órgão de três membros. Araghchi acrescentou: “eu assumo que isso leva um curto período de tempo. Talvez em um ou dois dias, eles elejam um novo líder para o país”.

No domingo, em pronunciamento gravado exibido pela televisão estatal iraniana, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o conselho “iniciou seu trabalho”, classificou o assassinato de Khamenei como “um grande crime” e anunciou sete dias de feriados públicos, além do período de luto de 40 dias.

Os serviços de emergência do Irã informaram que a onda de ataques dos Estados Unidos e de “Israel” assassinou ao menos 201 pessoas no país. O processo de escolha do sucessor, previsto na Constituição, cabe à Assembleia de Peritos, colegiado clerical de 88 membros eleitos pelo povo, que decide por maioria simples. A última vez que esse procedimento ocorreu foi em 1989, após a morte do aiatolá Ruholá Khomeini.

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