Em 26 de janeiro de 2026, uma reportagem da Russia Today (RT) analisou o cenário atual do sistema monetário global, destacando que a disparada no preço do ouro é um reflexo direto do enfraquecimento do dólar como reserva de valor. O texto informa que o metal precioso passou de 1.000 dólares por onça para mais de 4.800 dólares em uma década, com uma valorização de quase 70% apenas no ano de 2025. Esse movimento ocorre mesmo com taxas de juros elevadas, o que normalmente afastaria investidores do ouro, sugerindo que há uma falha estrutural no sistema financeiro. A matéria afirma que os bancos centrais estão comprando o metal em grandes quantidades porque manter dólares se tornou um negócio desfavorável.
De acordo com o texto, o principal motor dessa alta é a atuação de bancos centrais de países como China, Índia, Turquia, Brasil e Polônia. A reportagem cita dados do Conselho Mundial do Ouro indicando que 95% dos bancos centrais esperam aumentar suas reservas de ouro nos próximos meses. Além disso, a matéria destaca que o ouro já representa cerca de 30% do total das reservas globais. O artigo ressalta que grande parte dessas compras não é declarada oficialmente ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Analistas consultados pela publicação, como Jan Nieuwenhuijs, descrevem essa prática como uma desdolarização oculta, onde governos diversificam seus ativos para longe da moeda norte-americana sem alarde.
A análise divide o papel do dólar em três esferas: transações comerciais, crédito e reservas de valor. Embora o dólar ainda domine as trocas comerciais e o sistema bancário, é na função de reserva que o ouro está ganhando espaço. A reportagem argumenta que os Estados Unidos não possuem um plano claro para reduzir sua dívida pública crescente e, por isso, devem manter taxas de juros abaixo da inflação para diminuir o peso dessa dívida ao longo do tempo. Esse processo corrói o poder de compra de quem guarda ativos em dólares. Segundo o texto, o atual sistema financeiro está sendo reestruturado de forma silenciosa, colocando o ouro novamente em uma posição central que o governo norte-americano tentou evitar desde os anos 1970.
A matéria também aponta um contraste entre a realidade do mercado financeiro e a postura oficial das autoridades norte-americanas. O Banco Central norte-americano (Fed, na sigla em inglês) admitiu em relatórios recentes que a participação do ouro nas reservas mundiais dobrou, mas justificou o fato apenas pela valorização do preço, sem mencionar as compras por parte de outras nações. Da mesma forma, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou em entrevista que a forte demanda chinesa por ouro seria apenas uma reação a problemas econômicos internos da China, e não uma perda de confiança no dólar.



