Em 7 de fevereiro de 2026, o Conselho Presidencial de Transição (CPT) foi dissolvido, transferindo todo o poder executivo ao primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, um empresário sem mandato eleitoral, sob pressão direta dos Estados Unidos, que posicionaram três navios de guerra, incluindo destructores, frente a Porto Príncipe para impor essa transição.
Mais de 6,4 milhões de haitianos, mais da metade da população, necessitam de assistência humanitária urgente em 2026, segundo relatórios da ONU (Organização das Nações Unidas) e da OCHA (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários). A economia está em recessão há sete anos consecutivos, com inflação elevada e colapso dos serviços básicos, agravados pela instabilidade que impede o acesso a mercados, agricultura e comércio. Quase 5,7 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda grave, com 1,9 milhão em níveis de emergência que incluem grandes lacunas alimentares, desnutrição aguda e risco de mortalidade excessiva, uma das piores situações de fome no mundo, de acordo com a Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC). A fome ameaça se agravar ainda mais na projeção para março a junho de 2026, durante a estação de escassez entre colheitas, quando preços sobem e suprimentos diminuem.
Mais de 1,4 milhão de pessoas, cerca de 12% da população, foram forçadas a abandonar suas casas, tornando-se deslocados internos, muitos vivendo em acampamentos informais sem acesso adequado a comida, água, saneamento ou cuidados de saúde. Metade desses deslocados são crianças, expostas a desnutrição crônica e riscos elevados. As gangues, que controlam vastas áreas da capital e se expandem para regiões como Artibonite e Centre, funcionam como instrumento de colaboração de classe com o imperialismo, bloqueando rotas comerciais, destruindo meios de subsistência e aprofundando o caos econômico e humanitário que facilita a imposição externa.
De acordo com análise publicada pela teleSUR, de 10 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos ditam o rumo da política haitiana por meio de intervenção explícita. Três destructores estadunidenses, USS Stockdale, USCGC Stone e USCGC Diligence, ancoraram frente a Porto Príncipe a partir de fevereiro de 2026, simbolizando e reforçando o controle de Washington sobre a capital. O secretário de Estado Marco Rubio transmitiu ordem direta para dissolver o CPT até 7 de fevereiro, exigindo que Fils-Aimé permanecesse no cargo para supostamente “combater as gangues e estabilizar o país”, ignorando acusações de falta de apoio popular e de corrupção entreguista ao primeiro-ministro.
Fils-Aimé, graduado na Universidade de Boston e sem vitórias eleitorais significativas, opera, conforme apresentado pela reportagem da TeleSUR, como um servidor do plano imperialista dos Estados Unidos, com vínculos a lobistas no Departamento de Estado e um contrato milionário com Eric Prince (ex-Blackwater) para controle de aduanas e fronteiras. A reportagem critica o apoio dos EUA a esse arranjo como hipócrita, pois Washington acusa atores corruptos enquanto impõe um líder alinhado aos seus interesses econômicos, ameaçando sanções, como restrições de visto, a quem resista. A Organização dos Estados Americanos (OEA) legitimou rapidamente a mudança, reconhecendo Fils-Aimé sem questionar sua legitimidade.
A análise enquadra isso em um padrão histórico de dominação dos EUA no Haiti, desde ocupações passadas até intervenções recentes no Caribe, de modo que quem controla Porto Príncipe o faz sob supervisão direta de Washington. A reportagem da TeleSUR mostra que o imperialismo controla processos eleitorais e decide resultados. A medida é uma intervenção militar direta na política haitiana, priorizando interesses de rentistas estrangeiros sobre as necessidades urgentes do povo em meio à fome, deslocamento e colapso econômico.





