O pronunciamento de Donald Trump sobre o primeiro mês da chamada Operação Fúria Épica, feito na noite de 1º de abril, provocou forte instabilidade nas bolsas de valores. Em vez de anunciar qualquer recuo, cessar-fogo ou iniciativa diplomática, o presidente dos Estados Unidos afirmou que a ofensiva militar contra o Irã continuará nas próximas duas ou três semanas.
A declaração foi recebida como um sinal de que a guerra está longe do fim e de que o imperialismo norte-americano pretende ampliar ainda mais sua agressão na região. O resultado imediato foi a queda das bolsas e uma nova disparada do petróleo, em meio ao temor de que a guerra afete de maneira mais profunda o abastecimento mundial de energia e empurre a economia internacional para uma crise mais aguda.
O petróleo Brent, referência do mercado internacional, subiu cerca de 7% e passou a ser negociado em torno de 108 dólares (R$557) por barril. Já o WTI, principal referência nos Estados Unidos, avançou 11% e chegou a 111 dólares (R$572). A alta ocorreu depois de Trump afirmar que as forças armadas norte-americanas estão prontas para atacar instalações de energia e outras estruturas estratégicas do Irã, caso a nação persa não aceite as exigências impostas pelo imperialismo norte-americano.
Esse movimento mostra que, diante da guerra, o grande capital reage menos às promessas de estabilidade e mais ao risco concreto de interrupção do fornecimento de petróleo. Mesmo com os Estados Unidos apresentando produção elevada, a ameaça de uma escalada no Golfo Pérsico pesa mais sobre os preços.
Nas bolsas asiáticas e europeias, a reação foi imediata. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 2,28%. Em Seul, a queda foi ainda mais acentuada, de 4,47%. Na China, os principais índices de Xangai recuaram entre 0,74% e 1,04%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, fechou com baixa de 0,7%. Os capitalistas entenderam o discurso como a confirmação de que não existe, por parte dos Estados Unidos, qualquer plano real de desescalada.
O aumento do petróleo pressiona toda a economia internacional. Energia mais cara significa aumento dos custos de transporte, produção e distribuição, o que atinge diretamente a indústria e tende a elevar a inflação em vários países. Em um cenário de crescimento tímido em boa parte do mundo, a guerra pode funcionar como um fator adicional de crise econômica.
Trump tentou vender a ideia de que os Estados Unidos estariam protegidos do impacto da crise por serem hoje o maior produtor mundial de petróleo e por contarem também com as reservas da Venezuela, exploradas sob ocupação militar e apresentadas oficialmente como um “empreendimento conjunto”. Mas essa propaganda esbarra na própria realidade do mercado mundial. Ainda que os Estados Unidos não dependam diretamente do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, os preços são definidos internacionalmente. Por isso, a alta do barril atinge também o mercado interno norte-americano.
O governo norte-americano atribuiu o aumento dos preços dos combustíveis aos ataques iranianos contra petroleiros comerciais, usando esse fato para justificar a continuação da ofensiva militar sob o argumento de proteger aliados como Arábia Saudita e Israel. Na prática, o que se vê é mais uma etapa da política imperialista de controle da região e das rotas estratégicas do petróleo.
Ao mesmo tempo, surgiram sinais de tentativa de conter um agravamento ainda maior da crise. A notícia de que o Irã estaria negociando com Omã um protocolo técnico para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz trouxe algum alívio aos capitalistas. A hidrovia é responsável pelo trânsito de uma parcela decisiva do transporte mundial de petróleo, e qualquer ameaça ao seu funcionamento tem impacto imediato sobre a economia global.
Também contribuiu para reduzir parte do pessimismo o anúncio do Reino Unido de que uma coalizão de 40 países discute uma ação conjunta para garantir a navegação na região. Com isso, alguns índices conseguiram recuperar parte das perdas ao longo do pregão. O Ibovespa, no Brasil, e o S&P 500, em Nova Iorque, encerraram o dia próximos da estabilidade, depois de terem operado em queda.


