Em entrevista ao Diário Causa Operária, Carlos, de 23 anos, um dos coordenadores da cozinha no acampamento da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), realizado em Sorocaba (SP) como parte da 54ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO), detalhou o funcionamento da estrutura responsável pela alimentação de cerca de 90 a 120 participantes.
A cozinha conta com coordenação permanente exercida por Carlos e por Expedito, de Brasília, ambos com experiência em atividades semelhantes. Diariamente, um grupo de participantes em revezamento contribui com a mão de obra, garantindo a execução das tarefas. “Todo dia um grupo diferente de pessoas que estão na atividade vêm para contribuir com a mão de obra no trabalho da cozinha”, explicou Carlos.
O cardápio é definido com antecedência pela organização, abrangendo todas as refeições do período. “Antes da atividade é definido o cardápio completo de todos os dias”, afirmou o coordenador. A escolha prioriza pratos viáveis para mão de obra não especializada, facilitando a participação ampla dos acampados. “A gente procura definir coisas que a gente sabe que vão ter uma certa facilidade de fazer com a mão de obra que não é especializada do pessoal, até porque é um interesse nosso de que o pessoal trabalhe na cozinha, ajude na organização do evento“, destacou.
Neste ano, devido ao calor intenso em Sorocaba, optou-se por refeições mais leves à noite, como lanches com acompanhamentos, enquanto o almoço traz pratos mais substanciais e tradicionais. Exemplos recentes incluem peixe empanado com purê de batata, um clássico apreciado há anos, macarronada, feijoada, picadinho e creme de milho. “No almoço não repetimos nenhuma refeição. No jantar a gente vai ter duas repetições de acompanhamento”, detalhou Carlos. Em edições anteriores, houve cardápios temáticos, como de países do “eixo do mal” ou de inverno, mas desta vez prevaleceu o tradicional e prático.
Além da coordenação fixa, há um supervisor diário, geralmente um militante mais experiente, que faz a ponte entre a coordenação e o grupo do dia. Uma comissão específica cuida das compras, inventários e suprimentos, reunindo-se para discutir necessidades e garantir qualidade. “Tudo que estiver faltando, a gente se reúne, discute e procura fazer a coisa da maneira mais tranquila e de melhor qualidade possível”, disse.
Segundo Carlos, a participação na cozinha integra a experiência socialista do acampamento. “A gente gosta de aqui na Universidade de Férias proporcionar para o pessoal um pouco de como é o convívio socialista. A gente tem essa atuação de o pessoal vir ajudar na cozinha, ajudar a organizar as atividades, participar do curso”, explicou.
Para Carlos, a cozinha não é sacrifício, mas parte essencial da atividade. “É uma oportunidade para o pessoal aprender a cozinhar, que é uma habilidade importante até no movimento social. A pessoa aprende um pouco como é esse ambiente de trabalho coletivo. Não é uma coisa negativa participar da cozinha, muito pelo contrário, é uma parte da experiência de vir na Universidade de Férias”, concluiu.



